CNT: 31,8% dos motoristas de ônibus foram alvo de assalto e vandalismo
Pesquisa nacional divulgada nesta terça-feira (21/3) revela que 55,7% dos profissionais do setor consideram a atividade perigosa e arriscada

Assaltos, acidentes, atos de vandalismo e condições precárias das vias. Esses são os fatores que tornam a profissão de motorista de ônibus urbanos perigosa e arriscada para 55,7% dos profissionais do setor. O dado faz parte de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (21/3) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Em relação à segurança, quase um terço dos entrevistados (28,7%) disseram ter sido vítima de assalto pelo menos uma vez nos últimos dois anos e 3,1% informaram que neste mesmo período o ônibus em que trabalhavam sofreu incêndio proposital ou alguma tentativa. Além disso, um terço (33,2%) se envolveu em pelo menos um acidente nos últimos dois anos.
O presidente da CNT, Clésio Andrade, destaca que grande parte dos trabalhadores orgulha-se da profissão, mas ainda enfrenta uma série de desafios. “Cerca de um terço já sofreu algum assalto nos últimos dois anos. Além disso, os motoristas cumprem, diariamente, rotinas de trabalho desgastantes, causadas pelos constantes congestionamentos. Fica clara, então, a necessidade de investimentos em segurança pública, em infraestrutura viária e em pontos de apoio para acolher esses profissionais”, afirma.
A Pesquisa CNT Perfil dos Motoristas de Ônibus Urbanos traz informações gerais sobre o profissional e a atividade. Na amostragem, foram entrevistados 1.055 motoristas em 12 unidades da Federação de todas as regiões do país, entre os dias 6 e 19 de dezembro de 2016.
Um quarto dos entrevistados (24,5%) está há mais de dez anos na mesma empresa e 75,5% dizem que estão satisfeitos e não têm vontade de trocar de emprego. Ao falarem por que atuam na atividade, 70,6% afirmam que gostam de dirigir ônibus urbanos e 33,0% dizem que essa profissão oferece um salário melhor do que outras.
Os motoristas responderam a questões sobre rotina de trabalho, tecnologia, segurança, saúde, entre outros temas. As entrevistas foram feitas nas garagens das empresas e em terminais rodoviários e constatam que a maioria dos motoristas (77,5%) dirige veículos com algum sistema de rastreamento com GPS (67,8%) para orientação; roda, em média, 151,9 km por dia; trabalha 8,3 horas diariamente e 5,9 dias por semana. A média de idade dos veículos é de 5,3 anos.
A maioria dos entrevistados (70%) possuía outra profissão anteriormente e acredita que a situação financeira melhorou ao começar a trabalhar como motorista profissional. O tempo médio em que os entrevistados estão nessa área é de 12,1 anos, sendo que 68,7% atuam no segmento há mais de cinco anos.
Infraestrutura
As condições da infraestrutura também são dificuldades enfrentadas no dia a dia pelos motoristas. O pavimento das ruas e avenidas foi considerado regular, ruim ou péssimo para 77,6% dos entrevistados. Já em relação à fluidez do tráfego, 81,8% relataram que há problemas.
As principais reivindicações dos motoristas de ônibus urbanos são a maior segurança policial (61,7%), a necessidade de pontos de apoio ao motorista com mais conforto e estrutura (33,7%), vias especiais exclusivas para ônibus (29,4%) e a redução dos custos de aquisição da carteira de motorista (24,5%).


