Transbrasil ignora suspensão da ANTT e continua operando normalmente
No DF e em Goiânia, empresa segue vendendo passagens e despachando ônibus interestaduais de terminais clandestinos de Ceilândia

Um dia após ser proibida de rodar pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em todo o país, a Transbrasil continua operando normalmente. Na manhã desta sexta-feira (5/5), funcionários da empresa seguiam vendendo passagens para o transporte interestadual de passageiros, em Brasília e Goiânia (GO), e despachando ônibus para outros estados.
As atividades da empresa foram suspensas por meio de uma portaria da ANTT publicada no Diário Oficial da União dessa quinta-feira (4). A medida foi tomada pelo superintendente de Serviços de Transporte de Passageiros da ANTT, Ismael Souza Silva, e é resultado de um processo administrativo instaurado pela agência após a reportagem especial do Metrópoles, Transbrasil, um embarque para o crime nas rodovias brasileiras, publicada no dia 26 de março deste ano.
Além da publicação no Diário Oficial da União, a Transbrasil será notificada para que regularize as suas atividades. A empresa também pode ser alvo de fiscalização. Os ônibus da companhia que insistirem em transportar passageiros, enquanto a medida estiver vigente, poderão ser apreendidos por transporte pirata, avisa Ismael Silva.
Na manhã desta sexta-feira (5), a reportagem tentou “comprar” passagens da empresa e não encontrou dificuldades. Um bilhete de Goiânia para Teresina (PI) foi anunciado por R$ 250. Na compra de três, o valor caiu para R$ 240. Por telefone, o funcionário, que se identificou como Fábio, garante que o ônibus é confortável, com acesso à internet, ar-condicionado e encosto para os pés. O embarque, segundo ele, seria feito na Rodoviária de Goiânia. Confira o áudio:
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs tíquetes também são vendidos em um guichê do terminal rodoviário de Taguatinga. Por volta das 11h, a reportagem flagrou passageiros embarcando nos ônibus da empresa em dois terminais clandestinos da QNM 23/25 de Ceilândia. Por lá, eles também conseguiam adquirir os bilhetes.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasAté esta publicação, nenhum dos responsáveis pela Rodoviária de Goiânia tinham sido localizados para responder se os embarques da Transbrasil estão, de fato, ocorrendo no terminal.
Irregularidades
A reportagem produzida pelo Metrópoles ao longo de três meses de apuração e mais de 10 mil quilômetros percorridos mostrou as irregularidades cometidas pela empresa. Em Goiânia, por exemplo, a equipe flagrou a venda do “kit liminar”.
Acusados de participar do esquema comercializam a terceiros adesivos para “envelopar” os ônibus, talões de emissão das passagens, etiquetas de bagagem, uniforme e crachás de motoristas, além da inclusão no sistema de rastreamento, medida obrigatória pela legislação. Tudo com o nome e a logomarca da Transbrasil.
Com as liminares, ônibus sem as mínimas condições circulam país afora, fazendo vítimas como a família de Jardeli Miranda Nascimento, 24 anos. No dia 11 de outubro de 2016, ele, a mulher e a filha, de apenas 3 anos, ficaram feridos em um grave acidente na BR-226, durante viagem entre o Maranhão e o Distrito Federal, em um ônibus da Transbrasil. Além das marcas dos ferimentos, o casal carrega o trauma psicológico.










