Tiros de borracha da PM atingiram os olhos de dois manifestantes em PE

Duas pessoas levaram tiros de bala de borracha em um dos olhos e uma outra na perna em protestos em Recife

atualizado 30/05/2021 13:57

Daniel Campelo perdeu a visão após ser atingido por bala de borracha em protesto em Recife (PE)ARTHUR SOUZA/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Durante protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, neste sábado (29/5), em Recife (PE), a polícia militar usou balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os manifestantes.

De acordo com a emergência do Hospital da Restauração, duas pessoas atingidas nos olhos e outra com um tiro na perna deram entrada no hospital. A unidade não informou o estado de saúde dos manisfestantes.

“Nós estamos falando de um ato que foi convocado de forma pacífica e onde foi cumprido todas as medidas sanitárias obrigatórias. Foram distribuídas máscaras, álcool e se manteve o distanciamento. O ato foi por medidas urgentes para a superação da pandemia e contra o desgoverno em que o Brasil se encontra”, afirmou o presidente do conselho do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social, Manoel Moraes.

Moraes, que também é ex-titular da Comissão Nacional da Anistia, do Ministério da Justiça, e da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, disse ao Metrópoles que nunca havia presenciado tamanha violência policial em ato democrático em Pernambuco.

“A polícia encontrou os manifestantes com a tropa de choque, eles fizeram um cerco, para gerar um clima de tensão. Vários policiais entraram na manifestação com metralhadoras. Isso não pode acontecer em uma democracia. Ainda mais em um ato que clama pela saúde, pela vida do povo”, afirmou.

Moraes disse que advogados voluntários estão acompanhando quatro pessoas que foram detidas. “Nenhum ente pode submeter a sociedade à uma ruptura institucional. Cumprimos as medidas sanitárias, nada impedia o povo de estar na rua. Quatro pessoas foram detidas, e querem enquadrá-las por crime sanitário e desacato”.

Repúdios e manifestações

A vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB), publicou um vídeo em suas redes sociais onde alega que a ação da PM contra os manifestantes não foi autorizada pelo governo do Estado. Horas depois do pronunciamento de Santos, o governador do estado, Paulo Câmara (PSB), repudiou a ação da polícia e disse que a situação será investigada.

A Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB) publicou uma nota onde exige “uma apuração rigorosa por parte do Governo do Estado de Pernambuco e a punição dos responsáveis pela atuação da Polícia Militar durante toda a manifestação ocorrida neste sábado, na capital pernambucana”.

A OAB também se manifestou contra a violência da polícia contra a vereadora do PT Liana Cirne Lins, que foi registrada por manifestantes. “Tais imagens ressaltam uma agressão gratuita e covarde a uma mulher pública no exercício de um ato de cidadania, que não praticava qualquer atitude ao ponto de colocar em risco a integridade do militar”.

Por fim, a OAB Pernambuco afirmou que, por meio da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Defesa e Assistência às Prerrogativas Profissionais, irá levar o caso aos órgãos competentes e estará à disposição para prestar assistência no caso.

O Metrópoles solicitou um posicionamento da Polícia Militar de Pernambuco quanto aos apontamentos feitos por Moraes. Entretanto, o órgão disse que não se pronunciará, uma vez que o governador do estado já havia se manifestado.

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