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Brasil

Técnicos apontam "calúnia" e "falsidade" em veto a estudos da Conitec

Grupo elaborador de pesquisas sobre tratamento de Covid quer que Ministério da Saúde autorize protocolos contra kit Covid

08/02/2022 12:34
Gustavo Moreno/Especial Metrópoles
Fachada do MS

Em ofício enviado ao Ministério da Saúde na última sexta-feira (4/2), o grupo elaborador dos estudos sobre tratamento de Covid — rejeitados pelo secretário de Ciência e Tecnologia do órgão, Hélio Angotti — afirma que as justificativas do gestor para vetar as pesquisas são “falsas” e “caluniosas”.

O conteúdo do ofício foi revelado pela TV Globo e acessado pelo Metrópoles. No documento, que tem 101 páginas, os técnicos pedem a revogação da portaria Nº 7 de 25 de janeiro de 2022, assinada por Angotti.

Na portaria, o secretário rejeita os quatro estudos realizados voluntariamente pelo grupo elaborador, à pedido do Ministério da Saúde, e aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao Sistema Único de Saúde (Conitec).

Entre os documentos vetados, está o estudo Diretrizes Brasileiras para Tratamento Medicamentoso Ambulatorial do Paciente com Covid, que rejeita o uso do chamado kit Covid em pacientes que estão em tratamento ambulatorial.
Técnicos apontam “calúnia” e “falsidade” em veto a estudos da Conitec - destaque galeria
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Ministério da Saúde, em Brasília
Secretário Helio Angotti em coletiva de imprensa, com a então secretária Mayra Pinheiro ao fundo
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Secretário Helio Angotti em coletiva de imprensa, com a então secretária Mayra Pinheiro ao fundo

Anderson-Riedel/PR
Ministério da Saúde, em Brasília
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Ministério da Saúde, em Brasília

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em nota técnica divulgada na página da Conitec, o secretário Hélio Angotti lista uma série de justificativas para não aprovar as recomendações. Entre elas, o gestor cita o “respeito à autonomia profissional”.

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No recurso, o grupo elaborador pontua que a elaboração de diretrizes clínicas pela Conitec são “documentos orientativos e nunca tiveram papel de autonomia médica individual”.

Angotti também cita a  “necessidade de não se perder a oportunidade de salvar vidas”. O argumento foi contestado pelos técnicos. Eles afirmaram que a demora do secretário em analisar algumas das diretrizes propostas pelo grupo pode ter causado “perda de vidas”, e pedem abertura de investigação contra o gestor.

“A mora e inércia do Secretário em mais de seis meses para a tomada de decisão e publicação do Capítulo 2 das Diretrizes Hospitalares pode ter causado perda de vidas pela falta de orientações tempestivas aos médicos. Sugere-se a investigação da conduta do Secretário pelo Comitê de Ética da Presidência da República”, pontuaram.

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Conflitos de interesse

Ao vetar as diretrizes, Angotti também citou que houve “potenciais conflitos de interesses declarados e não declarados” pelos membros da Conitec.  Os pesquisadores afirmam que o argumento defendido pelo secretário é “calunioso”, e que o próprio gestor deveria agir com mais “transparência”.

O grupo pontua que a nota técnica publicada por Angotti para justificar os vetos contém o mesmo conteúdo de um requerimento assinado pelo secretária Mayra Pinheiro, do Ministério da Saúde, conhecida como “Capitã Cloroquina”. No documento, a gestora pede a rejeição dos estudos aprovados pela Conitec.

“Em relação aos ‘conflitos de interesses de ordem ideológica e política’, falta ao Secretário o mínimo de transparência pessoal, haja visto a total falta de independência científica e técnica, visto ter acatado de forma quase literal o requerimento nº 228/2021 do Departamento de Gestão do Trabalho em Saúde do Ministério da Saúde, (DEGTS/SGTES/MS) cuja responsável tem como nome Mayra Isabel Correia Pinheiro, conhecida defensora de medicações sem comprovação de eficácia contra a Covid-19”, argumentaram os técnicos.

Próximos passos

O secretário Hélio Angotti tem 10 dias para analisar o recurso e divulgar um parecer. Caso o gestor negue o pedido do grupo técnico, o caso será avaliado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Ao Metrópoles, o professor Carlos Carvalho, coordenador dos estudos, afirmou que o grupo aguarda um parecer do Ministério da Saúde, e que a pasta não realizou contato com os técnicos desde o envio do ofício.

Questionado pela imprensa na manhã desta terça, Queiroga afirmou que é responsabilidade de Hélio Angotti avaliar o recurso. “Tem que seguir o rito processual. A Conitec é uma comissão que apoia a decisão do secretário. Quem decide é o secretário”, finalizou.