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Brasil

Taxa de juros: BC volta a decidir Selic com pressão da guerra no Irã

Apesar da guerra no Oriente Médio, especialistas enxergam espaço para sequência de flexibilização monetária, com redução nos juros

Gabriela Pereira27/04/2026 02:01, atualizado 27/04/2026 03:55
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Fachada do Banco Central, em Brasília. Reunião do Copom terá dois diretores a menos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define nesta semana o rumo da taxa básica de juros da economia, a Selic, em um ambiente marcado por forte incerteza externa.

A reunião, que começa nesta terça-feira (28/4) e se estende até quarta-feira (29/4), ocorre sob o impacto direto da intensificação da guerra no Oriente Médio e dos seus reflexos sobre os preços globais de energia.

Atualmente, a Selic está em 14,75%, após um longo período em que se manteve em 15%. O Copom iniciou o ciclo de flexibilização monetária em meio ao início dos conflitos geopolíticos no golfo pérsico.

“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, expôs o último comunicado.
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Espaço para corte de juros?

No entanto, mesmo com a alta da inflação, que chega a 4,14% no acumulado de 12 meses, mas ainda dentro da meta, o mercado financeiro vê espaços para a continuação do ciclo de corte nos juros. 

Segundo a Warren Investimentos, o BC deve cortar os juros na próxima reunião, mas manterá uma postura mais “hawkish”, que no jargão econômico significa mais conservadora.

“O Copom deve voltar a enfatizar que discutiu se deveria seguir com a calibragem da taxa de juros, de forma semelhante ao observado na última ata, e, posteriormente, sob o argumento de cautela e serenidade, justificar o corte de 25 bps, passando a mensagem de um corte mais hawkish”, afirmou.

Além disso, segundo análises de economistas da Warren, o Copom deve reforçar o desconforto com a desancoragem das expectativas, com discurso conservador ao justificar que esse cenário exige da política monetária taxas restritivas por um período mais prolongado.

“Essa comunicação chancelaria a visão do mercado sobre o orçamento de cortes e uma taxa Selic mais próxima de 13% ao final do ano”, aponta.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro, e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
  • Projeções mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.

Guerra pressiona inflação global

A principal preocupação no momento é o avanço do conflito entre Irã, EUA e Israel e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo. Desde o início da escalada mais recente, os preços do barril voltaram a subir, refletindo o risco de interrupções na oferta e maior instabilidade geopolítica.

Esse movimento tem impacto direto sobre a inflação brasileira. O petróleo mais caro encarece combustíveis, transporte e diversos insumos da cadeia produtiva, o que tende a contaminar os preços ao consumidor. Com isso, o cenário inflacionário, que antes mostrava sinais de alívio, voltou a exigir cautela por parte da autoridade monetária.

Com a inflação subindo, especialistas discutem qual vai ser o nível de redução de juros nas próximas reuniões. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo, ou seja, o teto da meta é 4,5%.

Além da inflação, o ambiente externo mais turbulento tende a pressionar o câmbio, o que também pode impactar os preços internos. Esse conjunto de fatores leva o Copom a reavaliar o ritmo de eventuais cortes na taxa básica.

Diante desse cenário, a decisão do Copom ganha contornos mais complexos. O colegiado terá de equilibrar, de um lado, os sinais anteriores de desaceleração da inflação e, de outro, os novos riscos vindos do exterior.

Calendário do Copom

Reuniões em 2026:

  • 27 e 28 de janeiro;
  • 17 e 18 de março;
  • 28 e 29 de abril;
  • 16 e 17 de junho;
  • 4 e 5 de agosto;
  • 15 e 16 de setembro;
  • 3 e 4 de novembro;
  • 8 e 9 de dezembro.

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