“Gordura” dos juros pode ajudar a combater inflação, diz diretor do BC
Diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, diz que autarquia tem instrumentos para combater eventual aumento de preços com a guerra
atualizado
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A “gordura” da taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 14,75% ao ano, pode ser importante no combate a um eventual aumento nos preços causado pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, que acabou afetando a cotação internacional no petróleo nas últimas semanas.
A avaliação é do diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, que participou, nesta quarta-feira (8/4), de um evento promovido pelo Bradesco, em São Paulo.
Segundo o dirigente da autoridade monetária, o BC começou um processo de “calibragem” da Selic, e não necessariamente um “afrouxamento”. O objetivo, segundo David, é manter os juros básicos em níveis mais restritivos. A elevação da taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para combater a inflação.
“O nível de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás. Obviamente, esse evento do conflito vai do outro lado, porque ele está dando um choque de preços relevante que tem chances reais de ter efeitos de segunda ordem”, afirmou o diretor de Política Monetária do BC.
Para Nilton David, apesar da redução da Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março deste ano, não é hora de “baixar a guarda” contra a inflação.
“Agora está todo mundo animadíssimo porque houve um cessar-fogo (no conflito no Oriente Médio), mas eu não estou convencido de que a questão toda se resolveu”, ponderou David.
“A percepção que se tem agora é de que o Irã consegue fechar o Estreito de Ormuz com relativa facilidade. Então, incertezas vão perdurar. Não temos a capacidade de saber se é um choque transitório ou não. Eu adoraria que fosse. Mas, se não for, o BC estará aqui para isso”, completou o diretor da autarquia.
“BC vai buscar a meta”
Ainda de acordo com o Nilton David, “o BC vai buscar a meta” de inflação no país. Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Em fevereiro, a inflação oficial no país ficou em 0,7%, acelerando em relação a janeiro (0,33%). Por outro lado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses foi de 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
A inflação de março, já com os possíveis impactos da guerra entre EUA e Irã, será divulgada na quinta-feira (9/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
