Tarifaço: Lula foca em Rubio, enquanto Flávio tenta se desligar do tema
Disputa sobre ameça de novas tarifas dos EUA opõe os dois pré-candidatos à Presidência, que trocam acusações e buscam controlar danos
atualizado
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A possibilidade de o Brasil voltar a ser alvo de tarifas dos Estados Unidos reacendeu a disputa de narrativas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos pré-candidatos à Presidência da República.
Além de atribuir ao parlamentar parte da responsabilidade pelas medidas sugeridas por Washington, Lula elevou o tom contra o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem chamou de “latino-americano frustrado”. Já Flávio busca evitar que a crise cause desgaste à sua pré-campanha e tenta se desassociar das possíveis sanções comerciais.
Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 sobre supostas práticas desleais do Brasil e recomendou tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros.
Os relatórios foram divulgados cerca de uma semana após encontro do senador com o presidente Donald Trump, na Casa Branca.
As novas tarifas ainda precisam passar por etapas internas e dependem do aval de Trump, podendo substituir o tarifaço anunciado no ano passado.
O Palácio do Planalto atribui o movimento à atuação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, aliados do governo passaram a usar o termo “Tariflávio” para associar o senador às medidas.
Nos últimos dias, Lula intensificou as críticas à oposição e, nessa quarta-feira (3/6), durante reunião ministerial, acusou adversários de articularem sanções contra o Brasil por interesses eleitorais.
“Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, a alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles”, criticou Lula, sem citar o nome do senador.
O petista também passou a direcionar ataques a Marco Rubio. Na terça-feira (2/6), durante participação em um evento em Goiás, Lula já havia chamado o secretário de “anti-América Latina” e, durante o encontro com ministros, voltou a criticá-lo.
Lula relatou que, durante encontro com Trump em Washington no início de maio, afirmou ao presidente norte-americano que seu secretário de Estado “não gosta do Brasil” e criticou sua ausência na reunião.
“Eu já tinha dito e vou dizer para vocês e para o presidente Donald Trump que esse Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado”, afirmou Lula.
Em discurso no Congresso dos EUA, também na terça-feira, Rubio afirmou que o país mantém diversos aliados na América Latina, com exceção de Brasil, Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia, sob o governo de Gustavo Petro.
Avaliação do Planalto
- Auxiliares de Lula avaliam que o foco das críticas de Lula em Marco Rubio reflete o protagonismo assumido pelo secretário de Estado dos EUA na condução de ações contra o Brasil.
- Antes, integrantes do governo consideravam que medidas, como a recente classificação de facções brasileiras como organizações terroristas, partiam de setores específicos do Departamento de Estado, mais radicais e ligados ao movimento Make America Great Again (MAGA).
- Agora, admitem que as decisões recentes contam com o aval de Trump.
Flávio rebate Lula
Ainda em Goiás, Lula relembrou que Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente a Trump quando o líder norte-americano anunciou as primeiras tarifas contra o Brasil, no ano passado. À época, em julho de 2025, Trump citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por liderar uma trama golpista — ao justificar a taxação de produtos brasileiros, e o senador manifestou apoio à medida nas redes sociais.
Agora, Flávio tenta se desvincular de uma eventual nova rodada de tarifas após sua ida a Washington. O parlamentar atribui as iniciativas do USTR ao que chama de “tom agressivo” de Lula em relação ao governo Trump.
Segundo o senador, ele pediu “expressamente” ao presidente dos EUA que não fossem aplicadas novas tarifas e afirmou que, se eleito, pretende negociar “de igual para igual”. Flávio também declarou ser necessário proteger setores como o etanol e o sistema Pix, alvos de críticas do país.
Na quarta-feira, o senador criticou as declarações de Lula contra Marco Rubio, afirmando que ataques a autoridades norte-americanas prejudicam as negociações diplomáticas.
“Agora, você acha que xingar a pessoa com quem você vai ter que negociar ajuda ou atrapalha o Brasil? É claro que só atrapalha”, declarou o senador.
Flávio também acusou o presidente de agir com motivação política ao elevar o tom contra os Estados Unidos e afirmou que Lula teria interesse na efetivação das tarifas.
O senador enviou ainda uma carta ao secretário de Estado americano reforçando o pedido para que não sejam aplicadas tarifas contra produtos do Brasil e defendeu que a solução para o impasse passe pelo diálogo diplomático.













