Sóstenes aciona PGR contra Lula após fala sobre evangélicos
Sóstenes Cavalcante pede investigação por abuso de poder político após declaração de Lula em evento do PT, com foco nas eleições de 2026
atualizado
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O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta segunda-feira (9/2) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pedindo a abertura de investigação por abuso de poder político e uso da máquina pública com finalidade eleitoral.
A iniciativa tem como base uma declaração feita por Lula durante o evento de comemoração dos 46 anos do PT, realizado no último sábado (7/2), em Salvador (BA).
Na ocasião, o líder petista afirmou que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo” e defendeu que a militância petista dialogue com esse segmento da população.
Na interpretação de Sóstenes, a fala extrapola os limites institucionais do cargo e sugere uma associação entre a concessão de benefícios sociais e o comportamento eleitoral de eleitores evangélicos.
Segundo o deputado, isso caracterizaria uso indevido da autoridade presidencial e tentativa de influenciar o eleitorado, em desacordo com a Lei Complementar nº 64/1990, conhecida como Lei das Inelegibilidades.
“O Sr. Presidente da República ao proferir a supracitada fala comete o crime de abuso de poder político, com previsão no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/90 (Lei das Inelegibilidades), que estabelece o procedimento para apuração de uso indevido, desvio ou abuso do poder de autoridade”, afirma o líder do PL no documento.
Na representação enviada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o líder do PL argumenta que houve desvio de finalidade no uso das prerrogativas do cargo e da visibilidade institucional da Presidência da República.
Ele sustenta ainda que a conduta tem potencial para desequilibrar o pleito de 2026, já que não haveria igualdade de condições entre eventuais pré-candidatos.
Para ele, a declaração também poderia ser interpretada como forma de intimidação política.
“Lógica autoritária”
Nas redes sociais, Sóstenes reforçou as críticas e classificou a fala de Lula como reveladora de uma “lógica autoritária”. “Auxílio é direito, não moeda de troca. Fé não se compra. Consciência não se aluga”, escreveu o deputado.
Representei hoje à Procuradoria-Geral da República por abuso de poder político e desvio de finalidade após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que associam benefícios sociais ao comportamento eleitoral de um grupo religioso.
Não é fala infeliz. É revelação de uma…
— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) February 9, 2026
Na peça encaminhada à PGR, o parlamentar pede a instauração de procedimento investigatório, a notificação do presidente para prestar esclarecimentos e, caso as irregularidades sejam confirmadas, a aplicação das sanções previstas em lei, incluindo eventual declaração de inelegibilidade.










