Sob forte comoção, amigos e familiares sepultam mortos em Paracatu

Três cortejos rasgaram as ruas do município, e mesmo aqueles moradores que não conheciam as vítimas se recolheram no luto

Andre Borges/MetrópolesAndre Borges/Metrópoles

atualizado 22/05/2019 22:01

Enviado especial a Paracatu (MG) – O silêncio marcou os sepultamentos das vítimas da chacina na Igreja Batista Shalom, em Paracatu, distante 234 km de Brasília. Sem discursos, mas com muita comoção por parte de amigos e familiares, os enterros ocorreram nesta quarta-feira (22/05/2019) em dois cemitérios da cidade.

A cidade de pouco mais de 92 mil habitantes teve de assistir a cenas jamais vistas. Três cortejos rasgaram as ruas do município. Mesmo aqueles moradores que não conheciam as vítimas se recolheram no luto. Também calaram.

Os primeiros enterros foram o de Marilene Marins de Melo Neves, 38 anos, e Rosângela Albernaz, 50, no Cemitério da Santa Cruz. Elas foram veladas juntas. A saída das coroas de flores e a retirada dos corpos interromperam o tráfego na pequena rua do centro da cidade.

Parentes e amigos saíram da Funerária São João amparados. A mãe de Marilene, uma senhora idosa, precisou ser levada por sobrinhos e netos. Sob forte emoção, chegou a se sentir mal.

As famílias tentaram evitar a presença da imprensa e de curiosos. Contudo, centenas de pessoas acompanharam os sepultamentos. “É um trauma para a cidade. Imagina como estão essas famílias”, conversava uma mulher que se identificou como vizinha da Igreja Batista Shalom, palco da matança.

Minutos após o sepultamento de Marilene e Rosângela, o corpo de Antônio Rama, 67, foi enterrado no Cemitério Colina. Somente amigos e familiares acompanharam a cerimônia. O caixão foi derrubado, o que causou uma confusão.

Antônio era pai do pastor evangélico Evandro Rama, alvo principal do atirador Rudson Aragão Guimarães, 39. O líder religioso se salvou por conseguir fugir da igreja com a ajuda de fiéis.

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O corpo de Antônio Rama, 67, foi enterrado no Cemitério Colina

“Deus tem que confortar o coração dessas famílias. Estou colocando eles em todas as minhas orações. Jamais imaginaríamos que uma coisa dessas pudesse acontecer”, lamentou uma mulher que se identificou apenas como frequentadora da igreja.

O corpo de Heloísa Vieira Andrade, 50, foi sepultado em Uberlândia (MG), distante 239 km de Paracatu. Na cidade natal dela e da família, a cerimônia ocorreu de forma reservada. Ela é ex-namorada do atirador e foi a primeira a ser morta no ataque, com um golpe de canivete no pescoço.

Nesta quinta-feira (23/05/2019), a polícia começará a ouvir formalmente as testemunhas dos crimes, analisará os resultados das perícias e fará novas ações investigatórias. Ainda falta saber a origem da arma usada nos assassinatos e o que motivou a ação. Rudson está internado e não corre risco de morrer.

Para entender o crime
Por volta de 20h dessa terça-feira (21/05/2019), Rudson foi até a casa da mãe dele, onde também estava Heloísa. Lá, ele esfaqueou a ex-companheira no pescoço com um canivete. Ela morreu a caminho do hospital, devido a uma parada cardiorrespiratória.

Minutos depois, Rudson invadiu a igreja. Ele atirou contra Rosângela e Antônio, que não resistiram aos ferimentos e morreram.

Rudson ainda rendeu outra fiel e a manteve sob ameaça. A Polícia Militar chegou ao local da ocorrência e tentou negociar. Nervoso, ele disparou contra Marilene, a quarta vítima. Rudson acabou baleado por um policial.

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