Atirador de Paracatu recarregou arma a cada vítima atingida

Segundo a delegada Thais Regina Silva, após matar três pessoas na igreja, Rudson Aragão Guimarães, 39 anos, ainda tinha munições no bolso

Andre Borges/MetrópolesAndre Borges/Metrópoles

atualizado 22/05/2019 18:09

Enviado especial a Paracatu (MG) – Rudson Aragão Guimarães, 39 anos, atirador responsável pela chacina em Paracatu, distante 234 km de Brasília, recarregava a pistola calibre .36 usada no crime a cada vez que alvejava uma vítima. Isso aconteceu ao menos quatro vezes. A origem da arma está sendo investigada pela polícia.

Segundo a delegada Thais Regina Silva, chefe da Divisão de Homicídios da 2ª Delegacia de Paracatu, Rudson tinha mais munição nos bolsos. “Ele municiava o pistolão com uma das unidades de carga que portava no bolso”, informou. Rudson carregava consigo outros seis projéteis intactos. A investigadora detalha que, na casa do criminoso, foram encontrados munição calibre .22 e vários canivetes.

Após ser alvejado pela Polícia Militar na mão e no ombro, Rudson foi levado para o hospital municipal de Paracatu, onde se encontra internado. A delegada chegou a entrevistar o assassino, mas o diálogo não tem validade na condução das diligências. “O depoimento não foi possível por conta da sedação. Ele ainda não está distinguindo a realidade. Foi uma conversa informal. Tudo que foi dito, foi de forma incoerente”, disse Thais.

Pessoas próximas a Rudson, como a irmã e a mãe, também foram ouvidas. A ex-namorada dele, Heloísa Vieira Andrade, 50, não tem parentes na cidade, mas a Policia Civil está em contato com familiares da vítima.

Sem antecedentes de violência doméstica
A delegada afirma que não há qualquer registro anterior de agressão à ex-companheira. “Sem histórico de violência doméstica. As pessoas destacam ele como uma pessoa difícil, muito temperamental. Ontem (terça), ele estava agitado e ainda tem a questão de dependência química”. Rudson estaria “alterado” há dois dias.

O atirador foi autuado por quatro homicídios qualificados por motivação fútil e tentativa de homicídio devido à ameaça ao pastor Evandro Rama. “Na ação, ele (pastor) conseguiu fugir, por isso não foi morto. Essa era a intenção dele”, finaliza. Como represália, Rudson matou a tiros o pai do líder religioso, Antônio Rama, 67.

Rudson ficou ao todo 12 minutos na igreja. “Temos a gravação da ação dele. Ele atingiu o Antônio para desestabilizar o pastor. Ele fez com que as pessoas apontassem onde ele estava”, detalha a delegada.

Consumo de drogas e motivação
Ainda não se sabe se Rudson estava sob efeito de drogas. “Não sabemos se ele estava consumindo algum tipo de droga atualmente, mas não tivemos, até agora, relato de consumo. Ele já foi internado anteriormente por causa da dependência química”, explica.

A delegada é categórica sobre o fato de que ainda não é possível cravar a motivação do crime, mas pontua que “várias” linhas de investigação estão em curso. “Não podemos adiantar, mas, ao que parece, todos os envolvidos no caso eram pessoas sérias e comprometidas com as obras da igreja”, conclui.

Nesta quinta-feira (23/05/2019), a polícia começará a ouvir formalmente as testemunhas, analisará os resultados das perícias e fará novas ações investigatórias.

Facada e tiros na igreja
Por volta de 20h dessa terça-feira (21/05/2019), Rudson foi até a casa da mãe dele, onde também estava Heloísa. Lá, ele esfaqueou a ex-companheira no pescoço com um canivete. Ela morreu a caminho do hospital devido a uma parada cardiorrespiratória.

Minutos depois, Rudson invadiu a igreja. Ele atirou contra Rosângela e Antônio, que não resistiram aos ferimentos e morreram também em razão de parada cardiorrespiratória.

Rudson ainda rendeu outra fiel e a manteve sob ameaça. A Polícia Militar chegou ao local da ocorrência e tentou negociar. Nervoso, ele disparou contra Marilene, a quarta vítima. Rudson acabou baleado por um policial.

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