Paracatu: “O barulho dos tiros silenciou a cidade”, dizem moradores

Rudson Aragão Guimarães matou a ex-namorada e depois invadiu uma igreja, onde tirou a vida de mais três pessoas. Ele está no hospital

Andre Borges/MetrópolesAndre Borges/Metrópoles

atualizado 22/05/2019 17:44

Enviado especial a Paracatu (MG) – “O barulho daqueles tiros silenciou nossa cidade”. A frase de uma senhora de cerca de 80 anos mostra como o município mineiro, distante 190 km de Brasília, está abalada. Nos locais onde três vítimas são veladas, muito choro e poucas palavras.

Marilene Marins de Melo Neves, 38 anos, e Rosângela Albernaz, 50, são veladas desde as primeiras horas desta quarta-feira (22/05/2019) na Funerária São João, no Centro de Paracatu. A poucos metros dali, familiares se despedem de Antônio Rama, 67, na Funerária São Pedro.

Parentes e amigos das vítimas e de Rudson Aragão Guimarães, 39, que matou a ex-namorada Heloísa Vieira Andrade, 59, e depois atirou contra fiéis dentro de uma igreja evangélica na noite dessa terça-feira (21/05/2019), estão em choque.

Primo de Heloísa, Renato Martins de Melo, 45, contou que a família ainda não acredita no que aconteceu. “Até agora a ficha não caiu que ele (Rudson) fez isso. Sempre aparentou ser um cara normal”, disse à imprensa, muito emocionado.

Os membros da Igreja Batista Shalon, no bairro Bela Vista, relatam que, apesar do comportamento “difícil”, o atirador não passava a imagem de ser um homem agressivo ou violento. “Jamais esperávamos isso dele. O Rudson estava afastado da igreja, mas era uma pessoa boa”, pontuou uma mulher sob a condição de anonimato.

Marilene e Rosângela são veladas lado a lado. As famílias buscam uma na outra o consolo para enfrentar a perda. “Não estou acreditando que isso está acontecendo. Nunca imaginei passar por uma situação dessas”, lamentava repetidas vezes um homem ao lado do caixão de Marilene. Os sepultamentos estão previstos para as 17h desta quarta.

Investigação
A Polícia Civil tenta descobrir como Rudson conseguiu a arma e a munição usada no crime e o que motivou a ação. Ele tem passagem policial por tráfico de drogas.

As primeiras informações da diligência dão conta de que o homem queria atirar contra o pastor da igreja, Evandro Rama. Ele celebrava um culto no momento da invasão. Antônio, pai do religioso, morreu após o ataque.

Inicialmente, a Polícia Civil não trabalha com a hipóteses de crime passional. “Não há relatos de insatisfação dele com o término do relacionamento, somente por ele ter sido afastado dos trabalhos religiosos”, disse o tenente-coronel Luiz Magallhães, da PM de Paracatu.

Segundo o oficial, não se sabe se Rudson havia ingerido substâncias tóxicas. “Ele estava alucinado, falando frases desconexas e sem sentido. Repetia que mataria o pastor e o chamava”, detalhou.

Facada e tiros na igreja
Por volta das 20h dessa terça, Rudson foi até a casa da mãe dele, onde também estava Heloísa, sua  ex-namorada. Lá, ele esfaqueou a ex-companheira no pescoço. Ela morreu a caminho do hospital devido a uma parada cardiorrespiratória.

Minutos depois, Rudson invadiu a igreja. Ele atirou contra Rosângela e Antônio, que não resistiram aos ferimentos. O homem ainda rendeu outra fiel e a manteve sob ameaça. A Polícia Militar chegou ao local da ocorrência e tentou negociar com o criminoso. Nervoso, ele disparou contra Marilene, a quarta vítima.

Os agentes atiraram em Rudson para detê-lo. Ele foi socorrido em estado grave. De acordo com o mais recente boletim médico, o quadro dele é estável e não corre risco de morrer.

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