Servidor: em cinco anos, Caixa Econômica perde 15 mil funcionários

Banco público perde cerca de 16% da força de trabalho. Pessoas com deficiência foram contratadas para diminuir vacâncias

Raimundo Sampaio/Especial para o Metrópoles

atualizado 16/07/2019 10:27

Desde 2014, a Caixa Econômica Federal perdeu 15 mil servidores. Esse número representa nada menos que 16% do total da sua força de trabalho. A maior parte desses desligamentos se deram por adesão a programas de demissão voluntária, os chamados PDVs. O dado foi apresentado pelo presidente do banco, Pedro Guimarães (foto em destaque), nessa segunda-feira (15/07/2019), ao anunciar a contratação de funcionários deficientes para cumprir a cota mínima de 5% – número estabelecido por lei.

Em 2014, a Caixa tinha 101 mil empregados. No fim de 2018, o número chegou a 85 mil. Somente este ano, a estatal pretende dispensar outros 3,5 mil servidores, reduzindo ainda mais o quadro.

Nessa segunda-feira (15/07/2019), Guimarães não comentou os números em detalhes, mas deu a entender que o impacto é grande no funcionamento da matriz, em Brasília, e nas agências da rede espalhadas em todo o país. “Essas perdas vêm de outras gestões, e não posso falar por elas”, resumiu.

O mais recente PDV da Caixa começou em maio e o período de adesão acabou em 7 de junho. O banco ainda não divulgou quantos servidores pediram para entrar no programa de desligamento. “Começamos os desligamentos na semana passada”, adiantou, no entanto, Guimarães.

Inicialmente, a intenção da estatal era gerar uma economia superior a R$ 700 milhões anuais. Os desligamentos ocorrerão por meio de rescisão do contrato de trabalho a pedido, dispensando-se o cumprimento de aviso prévio.

Incorporações
Apesar do elevado número de vacâncias, a Caixa adotou uma estratégia de incorporar novos funcionários ao seu quadro de trabalho, em substituição aos que se desligaram. Até o fim do ano, o banco público pretende contratar 2 mil funcionários com algum tipo de deficiência. As contratações são para atender à legislação que obriga empresas com 100 ou mais funcionários a destinar de 2% a 5% das vagas para este público.

Segundo Pedro Guimarães, o banco tinha apenas 1,68% de seu quadro composto por deficientes. O índice foi considerado, pelo chefe da estatal, inaceitável. “Éramos o único banco que não cumpria a legislação”, lamentou.

De acordo com a Caixa, 182 pessoas que haviam sido aprovadas em um concurso de 2014 foram contratadas. Dessas, 174 têm algum tipo de deficiência: 62% apresentam deficiência motora, 28,16% visual, 8,62% auditiva e 1,15% múltipla. Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Campinas e Salvador tiveram reforços em seus quadros.

Os novos servidores serão alocados na matriz, em Brasília, além de agências de atendimento. Guimarães ressaltou que, apesar de o concurso ter sido realizado em 2014, em 2016, 2017 e 2018 ninguém foi contratado. “Estamos muito felizes”, concluiu.

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