Senador propõe dar título de “persona non grata” a assessor de Trump

Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais de Trump, declarou que mulheres brasileiras “são programadas para causar problemas”

atualizado

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Nelsinho Trad é presidente da CRE, onde acordo Mercosul-UE é discutido
1 de 1 Nelsinho Trad é presidente da CRE, onde acordo Mercosul-UE é discutido - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal, Nelsinho Trad (PSD-MS), vai propor um requerimento para que o colegiado torne Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “persona non grata” no Brasil.

Em publicação nas redes sociais, o senador classificou a fala de Zampolli sobre as mulheres brasileiras como “inaceitável”. Além de propor a adoção do título de persona non grata, Trad também solicitará retratação com pedido de desculpas.

“Inaceitável. Na condição de presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, vou fazer uma proposição a ser apreciada pelo nosso colegiado, colocando a ele um título de persona non grata no Brasil, no território brasileiro, solicitando uma retratação com pedido de desculpas”, informou o presidente da CRE do Senado.

O senador também afirmou que é preciso dar uma “resposta à altura” para a declaração “descabida” de Zampolli.

Em entrevista à emissora italiana Rai 3, o funcionário de Trump declarou que “mulheres brasileiras são programadas para causar problemas”.

Em outro momento da entrevista, acreditando não estar sendo gravado, Zampolli fez novas ofensas: “É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais. Aquela vaca, eu estava com ela, transava com ela. Depois ela também ficou louca”, disse. Ele se referia à ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro.

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Quem é o secretário de Trump que chamou brasileiras de "raça maldita"
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Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais de Donald Trump
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Quem é o secretário de Trump que chamou brasileiras de "raça maldita"

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Governo repudia declaração

Em nota, o Ministério das Mulheres afirmou que as declarações reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres brasileiras, configurando uma afronta à dignidade e ao respeito.

“A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”, diz o comunicado.

A primeira-dama Janja Lula da Silva também criticou as falas de Zampolli. “Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos, e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para ser quem quisermos”, defendeu ela.

A primeira-dama disse, ainda, que as “as mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento”. Ela rechaçou também termos utilizados pelo enviado de Trump para se referir às mulheres brasileiras, como “raça maldita”.

Acusação

A modelo Amanda Ungaro acusa Zampolli de violência doméstica, o que ele nega.

“As mesmas fotos que ela te mandou, ela mandou para o mundo todo. Onde estavam os hematomas? Nas pernas. Ela era kickboxer. Ela tinha hematomas nas pernas e nos braços. Eu nunca toquei em uma mulher. Depois de vinte anos, será que estávamos nos estuprando? Talvez, psicologicamente”, disse ele na entrevista à TV italiana.

Além de lutar contra Zampolli, que já foi empresário do setor de agenciamento de modelos, Amanda já se declarou publicamente contrária ao presidente dos EUA e sua esposa, a primeira-dama Melania Trump, e disse que “vai derrubar o sistema corrupto” deles, numa referência ao caso Epstein.

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