Sem maiores explicações, exposição com tema LGBT é cancelada no Pará

Artista Henrique Montagne Figueira foi selecionado pelo edital do Banco da Amazônia. Ele não recebeu valor de R$ 25 mil pelo trabalho

atualizado 13/05/2021 16:23

Suaves BrutalidadesReprodução/ Instagram

A exposição Suaves Brutalidades, de Henrique Montagne Figueira, selecionada por um edital do Banco da Amazônia, foi cancelada quando estava prestes a ser montada. O evento estava previsto para ocorrer na noite desta quinta-feira (13/5), no espaço cultural da instituição, no Pará.

A exposição contém temática LGBT. Segundo o texto de divulgação do projeto, a exposição Suaves Brutalidades “traz à tona o universo afetivo masculino, os prazeres e as violências experienciadas na relação entre homens”.

O projeto de Henrique Montagne foi aprovado no Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais – Edital de Pautas do Espaço Cultural 2021, no valor de R$ 25 mil para execução.

À Folha de S. Paulo, o artista afirmou que não recebeu qualquer parcela da verba, e precisou gastar dinheiro próprio para arcar com despesas de curadoria, impressão fine art, assessoria de imprensa, mediação, entre outros, num total de cerca de R$ 14 mil.

“Agora, estou cheio de dívidas, meus cartões de crédito estão todos estourados”, disse o artista.

Segundo Montagne, até o início de maio, tudo parecia correr normalmente. No primeiro dia do mês, o artista postou em seu Instagram uma arte de divulgação da exposição e marcou, na postagem, o perfil do Banco da Amazônia.

Ele explica que, no momento em que marcou a conta do Banco Amazônia em suas postagem, as conversas mudaram de rumo. Segundo o escritório de advocacia que atendeu o artista, não havia classificação indicativa.

A reportagem entrou em contato com o advogado de Montagne, Ivan Borges Sales. De acordo com ele, a notícia do cancelamento da exposição foi dada verbalmente ao artista, dois dias antes do início da montagem da exposição.

Na ocasião, a justificativa dada foi que questões de segurança ligadas à Covid-19 impossibilitariam a exposição. Ainda segundo a defesa, não houve comunicação oficial ou por escrito.

Montagne chegou a enviar um e-mail, além de ter se manifestado na reunião presencial, pedindo para que a exposição fosse remanejada até o fim do período de vigência do edital. Segundo a defesa, não foi dada outra alternativa.

Outros casos

A censura às obras de Montagne reacendeu episódios anteriores que também retiraram do ar exposições com teor LGBT.

O Queermuseu, por exemplo, foi cancelado pelo Santander Cultura, em Porto Alegre, após protestos nas redes sociais.

Já a Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2019 precisou censurar histórias em quadrinhos que continham um beijo gay, por ordem do na época prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). A medida causou alvoroço nas redes sociais. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a afirmar que a medida era “fato gravíssimo”.

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