Queiroga: “Ministro da Saúde não é despachante de decisão da Anvisa”

O governo federal é criticado pela demora no início da vacinação das crianças. Ministro disse ainda que “a história vai julgar” seu trabalho

atualizado 15/01/2022 17:56

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anuncia durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira 5:01, a inclusão de crianças de 5 a 11 anos contra covid 19Igo Estrela/Metrópoles

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reagiu neste sábado (15/1) a críticas sobre demora para o início da vacinação das crianças. Ele afirmou não ser “despachante” de decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem de nenhuma agência reguladora.

A vacinação das crianças ocorreu cerca de um mês depois da autorização da Anvisa, feita em 16 de dezembro. Apenas em 5 de janeiro a pasta divulgou regras para a imunização do público infantil. O primeiro lote com vacinas da Pfizer, imunizante autorizado pela Anvisa, chegou ao país na última quinta-feira (13/1) e foi distribuído aos estados.

“Quantos medicamentos, dispositivos ou produtos têm registro na Anvisa e não fazem parte das políticas públicas? O ministro da Saúde não é um despachante de decisão de Anvisa nem de agência nenhuma”, afirmou Queiroga em entrevista concedida durante agenda em João Pessoa (PB).

“O Ministério da Saúde é quem conduz a política pública e o ministro da Saúde é a principal autoridade do sistema de saúde no Brasil”, disse.

Queiroga cumpre agenda neste sábado na capital paraibana, onde participou de ato de vacinação e testagem no Hospital Universitário Lauro Wanderley.

O ministro afirmou ainda que a história vai julgar seu trabalho à frente da pasta e disse fazer o melhor que pode. “A história vai julgar, vai me julgar. Eu trabalho todos os dias para que eu tenha um bom julgamento da história”, disse. “Eu faço o melhor que eu posso.”

Na sexta-feira (14/1), após o estado de São Paulo aplicar a primeira dose pediátrica de vacina contra a Covid-19, o titular da pasta da Saúde acusou o governador João Doria (PSDB) de “fazer palanque”.

No Twitter, Queiroga afirmou que Doria “subestima a população”. “Está com as vacinas do governo federal e do povo brasileiro em mãos fazendo palanque. Acha que isso vai tirá-lo dos 3%. Desista!”, escreveu o ministro.

“Seu marketing não vai mudar a face da sua gestão. Os paulistas merecem alguém melhor”, continuou o cardiologista.

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Vacinação de crianças

Vinte capitais já definiram o início da imunização de crianças contra a Covid-19. Em 12 delas já ocorrerá neste fim de semana. A dose pediátrica da Pfizer pode ser utilizada no público de 5 a 11 anos.

Dez capitais anunciaram o começo da vacinação da faixa etária para este sábado (15/1): Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), São Luís (MA) e Vitória (ES).

Indígena de 8 anos é a 1ª criança a ser vacinada contra Covid no país

A vacinação do público infantil ocorre em meio a ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a segurança do imunizante. Esta semana, Bolsonaro disse que a administração do fármaco em crianças é uma “incógnita” e cobrou a agência sobre o “antídoto” para possíveis efeitos colaterais.

Especialistas afirmam que os benefícios da aplicação do imunizante em crianças — já realizada em diversos países do mundo — superam os riscos. Segundo a equipe técnica da Anvisa, as informações avaliadas indicam que a vacina da Pfizer é segura e eficaz para o público infantil.

O Brasil contabiliza 324 mortes de crianças entre 5 e 11 anos em decorrência do coronavírus, desde o início da pandemia, segundo dados coletados entre março de 2020 e a primeira semana deste ano, em cartórios de Registro Civil.

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