População desconhece informações básicas sobre câncer de mama

Pesquisa realizada com 2 mil pessoas em cinco capitais mostra que brasileiros ainda acreditam em falsos mitos sobre a doença

atualizado 26/09/2019 19:44

São Paulo – Apesar do conhecimento sobre o câncer de mama e as técnicas de tratamento terem evoluído significativamente nas últimas três décadas, ainda são preocupantes as falsas crenças que cercam a doença.

Nesta quinta-feira (26/09/2019), a Pfizer e o coletivo Pink – de organizações não governamentais que lutam pelos direitos das pacientes, divulgaram pesquisa feita pelo Ibope Inteligência na qual 71% dos entrevistados afirmaram que o câncer de mama aparece por conta de fatores genéticos e só 24% identificaram o surgimento da doença a hábitos de vida – como o consumo de álcool e o sedentarismo.

Na verdade, a literatura médica mostra que apenas entre 5 a 10% dos tumores são diretamente ligados a causas genéticas. O fator de risco predominante para o aparecimento do câncer de mama são os hábitos de vida, como o sedentarismo, o tabagismo e o consumo de álcool – mesmo que em pequenas quantidades.

“Há vários tipos de câncer de mama e a genética, certamente, é um fator preponderante para alguns deles. O problema é que o desconhecimento sobre outras causas importantes afasta a população de ações preventivas”, explica a médica Marina Sahade, oncologista do Hospital Sírio Libanês. Ou seja, está errado o senso comum de que não há motivo para preocupações se na família não há casos de parentes que apresentaram a doença.

Outra informação importante que ainda não está bem assimilada entre a população é a importância das mamografias periódicas a partir dos 40 anos de idade para mulheres. Na pesquisa, mais de 70% dos entrevistados disseram que o autoexame é a principal maneira de detectar o câncer de maneira precoce. “O autoexame é importante para que a mulher conheça seu corpo, perceba alterações importantes, mas ele não dispensa os exames de imagens periódicos, que devem ser anuais”, reforça a diretora médica da Pfizer, Márjori Dulcine. Ou seja, os entrevistados erram ao acreditar que o autoexame é suficiente para garantir que a mulher esteja livre da doença.

Empatia
A pesquisa mostra, entretanto, que as pacientes têm encontrado maior acolhimento entre as pessoas de seu convívio e que alguns estigmas estão praticamente superados, como o de que a doença é um desígnio divino ou de que o tumor se apresentou por conta de uma mágoa guardada. “Falsas crenças que culpabilizam as pacientes estão sendo abandonadas. É um alívio constatar isso pois o apoio das pessoas próximas é muito importante para o tratamento”, afirma a oncologista Marina Sahade.

A repórter viajou a convite da Pfizer.

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