Pesquisa confirma ligação entre câncer de mama e reposição hormonal

Estudo publicado na revista The Lancet mostra que uma a cada 50 mulheres que faz tratamentos por cinco anos deve desenvolver tumores

Kritchanut, IstockKritchanut, Istock

atualizado 02/09/2019 7:55

O risco de mulheres que fazem tratamentos de reposição hormonal desenvolverem câncer de mama é maior do que se pensava, de acordo com uma pesquisa de larga escala recentemente publicada na revista científica The Lancet.

O trabalho revisou 58 estudos epidemiológicos sobre os tratamentos, que envolveram mais de 100.000 mulheres. Foi observada a incidência de tumores em mulheres na menopausa que usavam tratamentos de reposição hormonal com as que não usavam. De acordo com os resultados, uma em cada 50 mulheres com o peso na média que usam a forma mais comum de reposição hormonal – estrogênio e progesterona – pelo período de cinco anos desenvolve câncer de mama. O risco persiste em algum nível por pelo menos dez anos depois de o tratamento ser interrompido.

O risco de mulheres entre 50 e 69 anos desenvolverem câncer de mama é de 6,3%, o estudo revelou que as que usam terapia hormonal com estrogênio e progesterona por cinco anos têm o risco aumentado para 8,3%. Os pesquisadores observaram que tratamentos realizados por até um ano não apresentam elevações significativas em relação ao risco. E que também não há variação na incidência entre as mulheres obesas que fazem uso de hormônios, mas essas têm o risco aumentado por conta do excesso de peso.

A associação entre a reposição hormonal e o câncer de mama vem sendo discutida desde os anos 90, quando um estudo conduzido nos Estados Unidos teve de ser interrompido devido à alta incidência de voluntárias que após receberem hormônios apresentaram câncer de mama, infarto no miocárdio e embolia pulmonar.

Durante a menopausa, os ovários param de funcionar progressivamente, fazendo com que os níveis de estrogênio e progesterona caiam. As alterações hormonais causam sintomas como fogachos (calores repentinos), ressecamento vaginal, problemas de sono e aumento da gordura na região da cintura.

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