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Saúde

Anvisa suspende estudos clínicos da vacina Coronavac devido a "evento adverso grave"

Agência decidiu interromper o estudo para avaliar os dados observados até o momento e julgar o risco/benefício da continuidade dos testes

09/11/2020 21:48, atualizado 10/11/2020 08:08
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Jacqueline Lisboa/Especial Metrópoles
Anvisa suspende estudos clínicos da vacina Coronavac devido a “evento adverso grave”

Os estudos clínicos da Coronavac, vacina chinesa contra o coronavírus que está sendo testada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, foram suspensos, temporariamente, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A interrupção teria se dado devido a um “evento adverso grave” e foi anunciada nesta segunda-feira (9/11).

A suspensão ocorreu após a morte de um voluntário de 33 anos, morador de São Paulo. O óbito teria ocorrido no dia 29 de outubro e foi comunicado à Anvisa, que decidiu interromper os ensaios para avaliar os dados observados até o momento e julgar o risco/benefício da continuidade do estudo.

Com a interrupção do estudo, nenhum novo voluntário poderá ser vacinado nesta fase de testes.

A Anvisa, porém, não revelou qual teria sido o evento adverso. Disse, por meio de comunicado, que, “segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”.

Na nota, a agência ainda destacou o que são “eventos adversos graves”:

a) óbito;

b) evento adverso potencialmente fatal (aquele que, na opinião do notificante, coloca o indivíduo sob risco imediato de morte devido ao evento adverso ocorrido);

c) incapacidade/invalidez persistente ou significativa;

d) exige internação hospitalar do paciente ou prolonga a internação;

e) anomalia congênita ou defeito de nascimento;

f) qualquer suspeita de transmissão de agente infeccioso por meio de um dispositivo médico; e

g) evento clinicamente significante.

Primeiras 120 mil doses

A suspensão dos estudos clínicos se dá no dia em que o governdor de São Paulo,  João Doria (PSDB), anunciou que o estado começa a receber no próximo dia 20 de novembro as 6 milhões de doses da Coronavac. As doses vão chegar pelo Aeroporto de Guarulhos e, de lá, pouca gente sabe para onde vão.

O diretor geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, é uma dessas pessoas. “Vão ficar em São Paulo”, disse ele ao ser perguntado sobre a possibilidade de o Ministério da Saúde participar da operação.

“Por uma questão de segurança, eu não vou revelar exatamente onde”, continuou ele, em entrevista coletiva ao lado d Doria nesta segunda.

“Serão guardadas com segurança muito grande, dada a suma importância neste momento. Ficarão em São Paulo, no estado de São Paulo”, disse, ainda, Dimas Covas.

Ao todo, o estado deve receber 6 milhões de unidades prontas, e tem contrato com os chineses para produzir outras 40 milhões de doses nas instalações do Instituto Butantan, em São Paulo.

Distribuição

A vacina ficará guardada até que os testes sejam concluídos e a Anvisa analise sua liberação. Até lá, o governo paulista seguirá buscando uma forma de trabalhar ao lado do Ministério da Saúde para a distribuição do imunizante.

Se o veto do presidente Jair Bolsonaro à vacina chinesa for mantido, porém, Doria afirmou que tem planos para distribui-la em São Paulo e em outros estados, além de países vizinhos na América do Sul.

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