Adesão de estados e municípios à Coronavac pressiona Ministério da Saúde
"A gente não pode pecar pela inércia ou lerdeza das ações do governo", diz prefeito que preside entidade que liderou busca pela Coronavac

São Paulo – Enquanto o governo federal não diz claramente se vai incluir a Coronavac no Plano Nacional de Imunização, estados e municípios fazem pressão, por meio de acordos individuais com o Instituto Butantan, para que o Ministério da Saúde se posicione. Além dos 12 estados, incluindo São Paulo, que já afirmaram ao instituto que querem adquirir o imunizante feito em parceria com a chinesa Sinovac, o Metrópoles apurou que cidades de pelo menos outros cinco estados também estão interessadas na parceria. São municípios de Santa Catarina, Goiás, Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A intenção dos prefeitos que buscam fechar a parceria individual é demonstrar aos estados e ao governo federal que eles estão preocupados em buscar uma solução rápida. Ao Metrópoles, o presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Paulo Roberto Weiss, afirmou que ao fechar com o Butantan, os municípios esperam fazer com que as demais esferas se envolvam.
“Com esse protocolo assinado, vamos procurar nosso governo de estado para apresentar o processo já construído e dizer que precisamos ser parceiros e que a oferta precisa ocorrer por meio do governo para todos”, disse.
Segundo ele, nesse primeiro momento, o contrato com o governo paulista não envolve nenhum tipo de recursos. A estimativa, de acordo com a Fecam, que foi a primeira entidade a buscar o Butantan para comprar a vacina, é que cada dose do imunizante custe cerca de R$ 30. São necessárias duas aplicações para garantir a eficácia do composto.
“Vimos que esse tema não estava sendo debatido no nosso estado de forma científica, que estavam só aguardando o Plano Nacional de Imunização, mas não dá para esperar. A gente não pode pecar pela inércia ou lerdeza das ações do governo. Temos centenas de pessoas vítimas da Covid-19 todos os dias”, disse Weiss, que é prefeito de Rodeio (SC). Santa Catarina está em um de seus piores momentos da pandemia, com alta taxa de ocupação de leitos e toque de recolher como medida para frear a propagação do vírus.
O governo de São Paulo, que tem polarizado com o governo federal, vem afirmando que vai oferecer quatro milhões de doses da Coronavac aos estados que pedirem. Caso seja necessário, o estado paulista se mostrou disposto a produzir mais doses para quem pedir. De acordo com o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, se o Ministério da Saúde decida incluir a Coronavac em seu calendário de vacinação, todos esses acordos individuais perdem a validade e passa a valer o que o Executivo definir.
O Ministério da Saúde, por outro, tem argumentado que a Coronavac ainda não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O imunizante está na fase 3 dos testes e o instituto ainda não submeteu os resultados finais ao órgão. A previsão do Butantan é finalizar esta etapa até o dia 15 para que a vacina seja reconhecida pelo órgão em 30 dias.
Em outubro, o ministro Eduardo Pazuello chegou a fechar um acordo de compra da vacina, mas após pressão do presidente Jair Bolsonaro, ele recuou e disse que a pasta não tinha intenção de adquirir a “vacina chinesa”. Na terça-feira (8), um dia após o governador João Doria anunciar que começaria a vacinar em janeiro, o ministro disse que “se houver demanda e houver preço”, o ministério vai comprar a “vacina do Butantan”.
Na quinta-feira (10), um grupo de cientistas pediu ao ministério a inclusão da Coronavac no plano nacional. “É mister considerar que um atraso na campanha de vacinação significa vidas perdidas e precisamos neste momento utilizar a ciência para a tomada de decisão que norteará o que mais importa: a preservação de vidas de milhares de brasileiros e brasileiras”, diz o grupo em carta.
Além de São Paulo, os 11 estados que já manifestaram interesse em comprar a vacina do instituto, sendo Acre, Pará, Maranhão, Roraima, Piauí, Mato Grosso Sul, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Sul. Há também 913 cidades brasileiras interessadas.
O governo de São Paulo ressalta que a oferta da Coronavac ocorrerá apenas após comprovação da eficácia.












