Salles reabre campanha para cobrar créditos de carbono de países ricos

Ministro brasileiro do Meio Ambiente falou sobre a regulamentação do mercado de carbono com presidente de Conferência do Clima da ONU

atualizado 22/02/2021 20:16

Andre Borges/Esp. Metrópoles

A próxima Conferência Internacional sobre Mudança Climática, que este ano é a COP-26, só vai acontecer em novembro, na Escócia, mas o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já começou uma campanha para cobrar dos países ricos a regulamentação de um trecho do Acordo de Paris que prevê repasses a países em desenvolvimento. Nesta segunda-feira (22/2), Salles participou de reunião por videoconferência com o presidente da COP-26, Alok Sharma, e se mostrou otimista com o início das tratativas.

“Meus agradecimentos ao senhor Alok Sharma nos esforços de finalmente colocar de pé o mercado que permitirá ao Brasil monetizar os créditos de carbono e vender aos países e regiões que mais emitem, que são os responsáveis por mais de 60% gases de efeito estufa na atmosfera”, escreveu o ministro brasileiro nas redes sociais após o encontro virtual.

“Com esse potencial de dezenas de bilhões de dólares por ano em créditos de carbono florestal, teremos recursos compatíveis pra cuidar cada vez melhor dos mais de 23 milhões de brasileiros da região e da nossa Amazônia”, completou Salles, em postagem também feita em inglês.

Por seu turno, o político britânico usou as suas redes para dizer que o Brasil é um “parceiro-chave no enfrentamento das mudanças climáticas” e que busca avançar nas discussões para fazer o Acordo de Paris funcionar. Ele tem viajado pelo mundo e conversado com autoridades nacionais já há alguns meses, com o objetivo de fazer da COP-26 uma conferência que traga resultados concretos. Em entrevista no final de janeiro, Sharma havia dito que o mundo precisa reduzir emissões de carbono até 2030 a uma velocidade cinco vezes maior do que está fazendo para poder cumprir as metas do Acordo de Paris.

Veja a postagem de Alok Sharma:

Os bilhões

A regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que prevê a monetização dos créditos de carbono, é um grande objetivo para Ricardo Salles. As conferências da ONU para a mudança climática tem sido realizadas a cada dois anos. Na anterior, em 2019 em Madrid, o ministro brasileiro já havia apostado todas as fichas nessa negociação e chegou a viajar antes para o país europeu, mas voltou frustrado.

“A COP-25 não deu em nada”, disse ele, na época. “Países ricos não querem abrir seus mercados de créditos de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem”, disse ainda o ministro, em 2019.

“Houve sinalização de que os países ricos disponibilizariam aos países em desenvolvimento US$ 100 bilhões por ano. O Brasil, que é certamente, entre os países em desenvolvimento, um dos que mais faz pelo meio ambiente, certamente tem a maior legitimidade para pleitear uma boa parcela desses 100 bi”, disse Salles.

Para esta COP-26, por enquanto Salles não fala em valores, mas mostra que vai insistir com mais afinco para que os países ricos “coloquem a mão no bolso”.

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