COP-25: Salles quer cobrar US$ 100 bi por ano dos países ricos

Ministro do Meio Ambiente vai participar de conferência climática em Madrid e quer cobrar valor prometido para os países em desenvolvimento

Andre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 27/11/2019 13:27

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que vai cobrar dos países ricos a regulamentação de um trecho do Acordo de Paris que prevê repasses a países em desenvolvimento. “Faremos tratativas pela regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que diz respeito à monetização”, disse ele nesta quarta-feira (27/11/2019).

“Houve sinalização de que os países ricos disponibilizariam aos países em desenvolvimento US$ 100 bilhões por ano. O Brasil, que é certamente, entre os países em desenvolvimento, um dos que mais faz pelo meio ambiente, certamente tem a maior legitimidade para pleitear uma boa parcela desses 100 bi”, completou ele.

Salles disse que espera ter acesso a esses recursos internacionais já a partir do ano que vem. Ele vai defender esse cronograma durante a 25ª Conferência Internacional sobre Mudança Climática (COP-25), que acontece entre 2 e 13 de dezembro, em Madrid, na Espanha. “Precisamos criar condições jurídicas para cumprir o Acordo”, disse o ministro ao deixar uma audiência na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara.

O discurso do ministro não combina com falas recentes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Não quero é política de vender a Amazônia em troca de migalhas ou grandes fortunas. Amazônia não vai continuar a ser leiloada como foi tempos atrás”, disse o presidente, no último dia 21 de novembro, falando justamente da COP-25.

Monetização do meio ambiente
Em sua fala na Câmara, o ministro voltou a defender sua tese de que a monetização é a maneira de proteger o meio ambiente. Ele defendeu, por exemplo, a concessão de mais áreas de conservação à iniciativa privada.

Salles atendeu convocação da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Como a comissão é formada principalmente por deputados ruralistas, o ministro não enfrentou perguntas embaraçosas e pôde falar sobre a sua própria pauta.

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