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Brasil

Saiba o paradeiro do "arsenal" que estava sob posse de Bolsonaro

Operação de busca e apreensão na casa do ex-presidente objetiva dar um ponto-final sobre onde estão as 10 armas de fogo que lhe pertencem

08/07/2026 10:58, atualizado 08/07/2026 11:38
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Reprodução
Saiba o paradeiro do “arsenal” que estava sob posse de Bolsonaro

A operação de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (8/7) na casa em que Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar, em Brasília (DF), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), objetiva, também, dar um ponto-final sobre o paradeiro do “arsenal” que estava sob posse do ex-presidente.

O estopim da operação foi a apreensão no dia de 15 de junho, pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), de uma arma registrada em nome de Bolsonaro – uma pistola Glock 9 mm – durante uma abordagem envolvendo um agente de segurança, o que levou à abertura de inquérito. A ação foi revelada pelo Metrópoles, na coluna de Mirelle Pinheiro.

Em depoimento, Bolsonaro admitiu que a arma de fogo apreendida é sua e que estava em sua casa, no condomínio Solar de Brasília. A justificativa: ele teria dito que “tem três mulheres em casa” e que “não podia ficar desarmado”.

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Moraes determinou que o ex-presidente entregasse todas as suas armas de fogo – 10 no total –, além de cancelar seu porte de arma e seu registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

O Exército Brasileiro informou, na noite de segunda-feira (6/7), que entregou à Polícia Federal (PF) seis armas que estavam registradas em nome do ex-presidente. A confirmação do repasse do armamento foi encaminhada diretamente ao ministro Alexandre de Moraes pelo comandante do Batalhão de Polícia do Exército, tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa.


O “arsenal” de Bolsonaro

  • Pistola Glock 9 mm – foi apreendida na blitz da PMDF e está com a Polícia Civil;
  • Pistola Caracal – na PF desde 2023;
  • Carabina/Fuzil Caracal – na PF desde 2023;
  • Pistola SIG-Sauer – estava no Exército e foi entregue à PF;
  • Pistola Arex – estava no Exército e foi entregue à PF;
  • Pistola Forjas Taurus .380 – estava no Exército e foi entregue à PF;
  • Pistola Forjas Taurus .40 – estava no Exército e foi entregue à PF;
  • Carabina/Fuzil Springfield Armory – estava no Exército e foi entregue à PF;
  • Espingarda Typhoon – estava no Exército e foi entregue à PF; e
  • Espingarda Maestro Arms Company – a informação é de que está em uma importadora de artigos bélicos no RS.

A transferência dos equipamentos atende a uma ordem expressa de Moraes, que havia estipulado um prazo rigoroso de 48 horas para que a corporação militar repassasse à PF todo o arsenal do ex-mandatário que estivesse sob sua custódia.

Apesar do cumprimento parcial da determinação, o relatório oficial do Exército acendeu um alerta nas autoridades e gerou um novo mistério nos bastidores de Brasília. Inicialmente, a expectativa do Judiciário e dos investigadores era de que oito armas fossem integralmente transferidas para o depósito da PF, mas apenas seis delas foram efetivamente localizadas.

Pistola e espingarda

De acordo com o comunicado enviado pelo tenente-coronel Vargas Lisbôa ao STF, duas armas específicas não foram encontradas nas dependências da unidade militar: uma pistola da marca Glock, de calibre 9 mm, e uma espingarda fabricada pela Maestro Arms Company, de calibre 12, cujas localizações exatas passaram a ser questionadas formalmente pelo ministro do Supremo. A Glock é a que foi apreendida pela PMDF.

Diante do impasse e da cobrança judicial, a equipe de defesa do ex-presidente protocolou uma petição no Supremo ainda na segunda para justificar a ausência de parte dos itens. Os advogados explicaram a Moraes que o ex-chefe do Executivo não realizou a entrega voluntária da espingarda calibre 12 porque a arma, na verdade, nunca esteve sob a posse direta do cliente ou do Exército.

Na justificativa apresentada ao tribunal, os defensores alegaram que a espingarda Maestro Arms Company permanece, desde o momento de sua aquisição, sob a guarda e responsabilidade da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, no Rio Grande do Sul.

Segundo a versão formalizada pelos advogados, o armamento de grosso calibre foi oferecido como um presente, motivo pelo qual ainda está nas instalações da empresa gaúcha, aguardando os trâmites de transferência e a regularização documental pertinente.

Com as explicações protocoladas no STF, o foco das investigações agora se volta para a confirmação das informações prestadas pela defesa no Rio Grande do Sul.

A operação atual

Advogado de defesa de Jair Bolsonaro, João Henrique Freitas afirmou, nas redes sociais, que a operação desta quarta na casa de Bolsonaro buscava por armas, munições, acessórios e documentos de registros. A operação durou cerca de uma hora. Segundo o defensor, nada foi encontrado.

A Polícia Federal deve realizar vistorias e cruzamento de dados nos próximos dias para atestar se o circuito das armas remanescentes coincide com as justificativas políticas e comerciais apresentadas pela defesa de Bolsonaro.