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Manoela Alcântara

Bolsonaro diz que delegado da PF autorizou manter pistola em casa

Segundo Bolsonaro, delegado permitiu que ele mantivesse a arma após operação da PF que apreendeu as demais pistolas

01/07/2026 09:19, atualizado 01/07/2026 09:30
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Hugo Barreto/Metrópoles
Bolsonaro em prisão domiciliar

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contou, em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que um delegado da Polícia Federal (PF) autorizou que ele mantivesse uma pistola dentro de casa.

Em depoimento, o ex-presidente afirmou que, quando foi alvo de uma operação da PF, em julho do ano passado, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, todas as armas que possuía foram apreendidas.

Entretanto, segundo Bolsonaro, ele pediu ao delegado responsável pela operação que deixasse ao menos uma arma na residência, para proteger o imóvel onde mora com três mulheres, entre elas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Segundo Bolsonaro, o delegado da PF saiu para falar ao telefone e, ao retornar, informou que ele poderia permanecer com a pistola, a mesma apreendida posteriormente com um agente do GSI durante uma blitz da PMDF, em Taguatinga.

A informação consta em relatório da PCDF encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, no qual os investigadores concluíram que Bolsonaro não cometeu crime no caso da arma apreendida.

Indiciamento

Em relatório entregue ao STF, a 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) concluiu que Bolsonaro não foi indiciado porque não foram encontrados elementos que caracterizassem o crime de posse ilegal de arma de fogo.

Segundo os investigadores, a pistola tinha registro válido, confirmado pelo Exército, e não havia restrições que impedissem o ex-presidente de mantê-la em sua residência.

Já o agente do GSI Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Para a PCDF, embora tivesse porte funcional, ele transportava uma arma registrada em nome de terceiro, em desacordo com o Estatuto do Desarmamento.

“Face ao exposto resta evidente a participação do investigado na empreitada criminosa, pelo qual, com fundamento no art. 2°, §6º da Lei nº 12.830/ 13 e no art. 6° do Código de Processo em virtude da materialidade e dos indícios de autoria colhidos nos presentes autos, indicio ESTÁCIO LEITE DA SILVA FILHO como incurso nas penas do Artigo 16, ‘caput’, c/c Artigo 20, incis Lei 10.826/03”, salientou o relatório do delegado Thiago Boeing.

Ainda em depoimento, Bolsonaro relatou que constatou uma pane na pistola. Segundo o ex-presidente, ele chamou o agente do GSI, que tinha experiência com esse tipo de arma, para verificar o problema.

Bolsonaro afirmou, no entanto, que o militar retirou a pistola da residência sem autorização, embora acredite que ele não tenha agido de má-fé.

O ex-presidente disse que só soube que a arma havia sido levada de sua casa quando foi informado da apreensão durante a blitz.