Russomanno promete reativar programa de Haddad para moradores de rua

Em campanha, candidato que tem o apoio do presidente Bolsonaro falou sobre o programa de Braços Abertos, que acolhia os sem teto

atualizado 19/10/2020 14:04

Rafaela Felicciano/Metrópoles

São Paulo – Líder nas intenções de voto na corrida pela prefeitura de São Paulo, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) admitiu nesta segunda-feira (19/10) retomar um programa de acolhimento dos moradores de rua chamado “de Braços Abertos”, criado na gestão de um adversário político, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT). “O que é bom tem que voltar”, justificou o político, que concorre com o apoio explícito do presidente Jair Bolsonaro.

A população de rua da capital paulista tem aumentado visivelmente e virou assunto central na campanha de 2020. O próprio Russomanno chegou a se envolver numa polêmica ao sugerir que quem mora na rua e não tem a oportunidade de tomar banho diariamente poderia ser mais resistente ao coronavírus.

A fala foi criticada por adversários do líder nas pesquisas como preconceituosa e o candidato tem insistido em apresentar planos e ideias para cuidar de um contingente que ele próprio calcula em 28 mil pessoas vivendo nas ruas paulistanas.

Nesta segunda, em visita a um dos mais tradicionais pontos de comércio da cidade, o Mercado Municipal, Russomanno abordou um morador de rua sobre suas necessidades e ouviu do homem elogios ao projeto petista, que alugava hotéis populares no centro para quem não tinha onde viver.

“Uma coisa que seria legal é se voltasse o Braços Abertos, muita gente ia sair dessa situação”, disse o homem. “Vai voltar, nós vamos cuidar disso. Conta comigo”, garantiu Russomanno a ele.

Veja imagens da visita de Russomano ao Mercado Municipal de São Paulo:

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Sem garantia sobre reajuste de passagens
Na visita ao Mercado Municipal, Russomano também prometeu, caso eleito, melhorar o transporte na região metropolitana da capital conversando com o governo do Estado e com prefeitos de cidades vizinhas.

Perguntado por jornalistas, porém, ele não se comprometeu a não reajustar o valor das passagens. “Eu não posso me antecipar”, desculpou-se o político. “Mas vamos estudar todos os mecanismos necessários para ter o melhor serviço sem aumento de tarifa. Preciso de estudos técnicos, seria uma inconsequência minha falar sobre reajuste sem estudos”, completou.

Distanciamento difícil
Em tempos de pandemia, apesar de aberto, o Mercado Municipal da capital paulista estava relativamente vazio nesta segunda, quando o candidato foi conversar com donos de lojas e fazer campanha. Apesar disso, a presença de Russomanno chegou a causar aglomerações em torno dele em alguns momentos.

O candidato só tirou a máscara para comer o tradicional sanduíche de mortadela servido no local e tentou evitar cumprimentos mais efusivos. Quando abordado com mãos abertas, devolvia um soquinho. Apesar do cuidado, alguns fãs mais empolgados forçaram abraços em Russomanno.

Na saída do local, o político disse que toma cuidados mas circula muito e comemorou não ter sido infectado pelo coronavírus até agora. “Eu faço muitos testes”, garantiu ele, que usa um modelo de máscara de acrílico para possibilitar a leitura labial do que diz em campanha.

As pesquisas de intenção de voto
Russomanno lidera as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno, que acontece em 15 de novembro. Ele tem 25% da preferência segundo pesquisa Ibope divulgada pela Rede Globo no último dia 15 de outubro.

O atual prefeito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição, tem 22%. Guilherme Boulos (PSol) os segue com 10% das intenções.

Numa simulação de segundo turno, Covas ficou à frente, mas em empate técnico com Russomanno: 40% a 39%.

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