Relator da PEC do BC rebate Ciro e descarta nova “emenda Master”
Após operação da PF por suposta propina, presidente do PP disse que vai reapresentar proposta para ampliar cobertura do FGC
atualizado
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O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central, Plínio Valério (PSDB-AM), rebateu o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), e disse, nesta terça-feira (12/5), que não há “a menor possibilidade” de aceitar uma nova emenda que amplie a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que ficou conhecida como “emenda Master”.
A declaração ao Metrópoles se dá depois de o cacique do PP publicar um vídeo se defendendo da operação policial da qual foi alvo por suposto envolvimento no caso do Banco Master na última semana. Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira recebeu propina de Daniel Vorcaro e atuava a favor dos interesses do banqueiro no Senado, como a tentativa de ampliar a cobertura do FGC.
“Se ele reapresntar a emenda, eu vou rejeitar. Pelo mesmo motivo que rejeitei a outra. A emenda dele [Ciro Nogueira] não tem a menor possibilidade de passar, porque não tem nada a ver com o mérito da PEC. É um direito dele, claro, e ele tem que excercer esse direito, mas eu, como relator, tenho que analisar e ela vai ser rejeitada”, disse.
“Exatamente como mandei”
Em 2025, o presidente do Progressistas apresentou uma emenda à PEC do BC para ampliar a garantia do FGC dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo as investigações, a proposta protocolada pelo senador do Piauí foi redigida integralmente por assessores do Banco Master. Em conversa interceptada, Vorcaro diz que a emenda “saiu exatamente como mandei”.
Como mostrado pelo Metrópoles, na coluna da Manoela Alcântara, Ciro defendeu a sua atuação parlamentar e disse que a manutenção do teto de cobertura do FGC “só beneficia grandes bancos”: “O fundo garante quem? Os bancos? Não. Os correntistas. Pessoas que têm poupança de uma vida toda”, completou.
“Tomei a decisão de apresentar agora a emenda corrigindo o valor do FGC, que pela Selic, deveria estar acima de R$ 800 mil. Agora não existe mais Banco Master. Quero ver qual é a desculpa que os grandes bancos vão usar para negar esta proteção aos correntistas brasileiros”, afirmou.
A PEC da autonomia do BC tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto transforma a instituição em uma empresa pública de natureza especial, com independência administrativa, financeira e orçamentária, além da autonomia operacional garantida por lei desde 2021.
