Ação de PF no Caso Master turbina disputa por cadeira de Ciro no PP
Senadora Tereza Cristina ganha força entre correligionários para assumir comando do PP após Ciro Nogueira ser alvo da PF no caso Master
atualizado
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A investigação da Polícia Federal (PF) que mira as relações do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas (PP), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, já movimenta disputas pela cadeira do senador no comando da legenda.
Um dos principais partidos do Centrão, o PP passou a ter peso ainda maior na correlação de forças entre os partidos após a formalização da “superfederação” com o União Brasil. Até então, Ciro era tido como peça chave nas articulações para a montagem das chapas para a disputa eleitoral.
Reservadamente, membros do PP defendem que Ciro se afaste da presidência do partido para diminuir o impacto das investigações na imagem da legenda.
Na última quinta-feira (7/5), o senador foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF por suspeita de atuar em favor de Vorcaro, em troca do “recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Segundo a investigação, Ciro recebia mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil do banqueiro. O senador e presidente nacional do PP nega as acusações.
No páreo
O nome mais citado como opção para substituir o dirigente é a senadora Tereza Cristina. Vereadora em São Paulo pelo PP, a jurista Janaína Paschoal defendeu publicamente nos últimos dias a substituição de Ciro por Tereza Cristina.
“O PP é uma sigla estratégica, não temos direito de morrer na praia. É preciso ter coragem de afastar o atual presidente, sem que isso implique reconhecimento de culpa, pois há todo um contraditório pela frente. É imperioso alçar uma pessoa competente, experiente e ilibada para conduzir a sigla. A meu sentir, não há nome melhor que o de Tereza Cristina. Além de todos os seus predicados, ela está no meio do mandato de Senadora e não será candidata este ano”, disse Janaina nas redes sociais.
Assim como o próprio Ciro, Tereza Cristina era uma das cotadas para ocupar a vice da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa à Presidência da República. O envolvimento do presidente do partido no escândalo do Master, no entanto, deve atrapalhar as tratativas. Outros nomes citados por correligionários é o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).
Além disso, fontes ligadas à federação União-PP em São Paulo afirmam que o presidente estadual do PP, o deputado federal Maurício Neves, já estaria se movimentando para se viabilizar como possível sucessor de Ciro.
Aliados, no entanto, apontam o movimento como pouco provável, já que Neves é um parlamentar de primeiro mandato e tem colecionado inimizades, especialmente no União Brasil em meio à disputa pelo comando da federação em São Paulo, especialmente com o ex-vereador Milton Leite, principal liderança do União no estado.
Recentemente, Leite chegou a ameaçar implodir a ala paulista da federação após o PP sinalizar que Ciro Nogueira assumiria a chefia do grupo também em São Paulo. O Metrópoles mostrou que, diante da confusão de comando, a federação perdeu deputados durante a janela partidária devido à insatisfação com o cenário.

