Federação União-PP tem confusão de comandos e perde deputados em SP
Grupo de SP tem perdido quadros para outros partidos e deputados relatam clima de incerteza dentro da federação
atualizado
Compartilhar notícia

A confusão de comandos e a alta concorrência dentro da federação União Progressista têm gerado um êxodo de deputados do grupo, em busca de maior segurança para a disputa das eleições.
Nas últimas semanas, diversos parlamentares do PP, comandado pelo senador Ciro Nogueira (PI), e do União, dirigido por Antonio Rueda, trocaram de partido e acertaram a transferência para outras legendas, especialmente o Podemos, comandado por Renata Abreu.
Alguns exemplos são os deputados federais Marangoni (SP) e David Soares (SP), que deixaram o União Brasil com destino ao partido de Abreu. O deputado Delegado Bruno Lima (SP) é outro que foi para o Podemos, após deixar o PP.
Já o deputado federal Ribamar Silva (SP), antes no PSD, estava encaminhado com o União, mas acabou recuando e também fechando com o Podemos.
Outro quadro que deixou o grupo foi Kim Kataguiri (SP), que saiu do União para se candidatar ao governo de São Paulo pelo Missão, partido criado pelo MBL.
Leite ou Neves
De acordo com a legislação eleitoral, cada partido pode lançar 71 candidatos a deputado federal pelo estado. Com a federação, a tendência é que haja uma divisão entre PP e União – um lançando 35 e outro, 36 nomes. Com isso, o valor de fundo eleitoral que poderá ser direcionado para cada candidatura é maior, dando mais “poder de fogo” para possíveis puxadores e voto.
Para o presidente estadual do União Brasil, Milton Leite, as saídas são naturais neste momento, e a formação da federação fez alguns quadros se sentirem inseguros quanto às possibilidades de reeleição.
“Não tem insatisfação nenhuma”, disse. O ex-vereador ainda afirma que tem sido procurado por membros de outros partidos que desejam migrar para o União.
Segundo relatos, no entanto, há incômodo de alguns diante da disputa interna de comando. Em São Paulo, muitos alegam que ainda não sabem se quem comanda a federação é Milton Leite ou o presidente do PP, Maurício Neves.
“Dentro do próprio União e do próprio PP está uma confusão, quem vai mandar e quem não vai mandar”, disse um deputado do União em reservado. “Se tem uma coisa que fizeram de imbecil, foi essa federação, essa é a realidade. Tenho o prazo da janela, estou vendo ainda (se troco de partido). Eu não sei para que fizeram essa federação, não serve para nada. Só é bom para presidente nacional, para mais ninguém”, disse outro parlamentar, este do PP.
“Virou uma fumaça”
Um dos casos citados como emblemático do cenário vivido na federação é do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). O parlamentar estava em conversas avançadas para trocar o PP pelo União, mas diz que ainda vai aguardar pela definição diante das incertezas de comando.
“Acho um absurdo que, em uma federação tão poderosa, ambos partidos perderam quadros por falta de capacidade aglutinativa e vaidade. Terei uma conversa com os representantes federais antes de qualquer decisão, principalmente com meu amigo Ciro Nogueira (presidente nacional do PP)”, afirmou Pinato ao Metrópoles.
O parlamentar já enterrou a federação. “Resultado: deputados e rabos de chapa procurando outros partidos por medo e falta de sintonia com as lideranças que deveriam estar construindo juntos essa chapa. Enfim, a poderosa federação em São Paulo virou uma fumaça”, completou o deputado.

