Arrecadação soma R$ 229,3 bilhões em março e bate recorde histórico
Dados foram divulgados nesta terça-feira (27/4) pela Receita Federal
atualizado
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A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 229,3 bilhões em março, em números corrigidos pela inflação. O dado representa um aumento de 4,99% em relação a março de 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28/4) pela Receita Federal.
A arrecadação de março é a maior para o mês considerando a série histórica iniciada em 1995. Desta forma, o valor é recorde em 32 anos.
No comparativo entre a arrecadação de março e fevereiro deste ano, houve alta de 2,31%, já descontada a inflação. Em fevereiro, o valor (R$ 222,2 bilhões) foi recorde para um mês, considerando a série histórica iniciada em 1995.
Neste ano, até agora, a Receita arrecadou R$ 777,1 bilhões, o que representa uma alta real de 4,58%, ou seja, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Confira a arrecadação em cada mês do ano:
- Janeiro: R$ 325,7 bilhões;
- Fevereiro R$ 222,2 bilhões;
- Março: R$ 229,2 bilhões.
Os aumentos na arrecadação da contribuição previdenciária, PIS/Cofins, do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF-Capital) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tiveram papel importante no incremento para a arrecadação do mês.
Em março, a Receita Previdenciária totalizou uma arrecadação de R$ 61,84 bilhões, representando crescimento real de 4,95%. Já o IOF apresentou uma arrecadação de R$ 8,347 bilhões, representando crescimento real de 50,06%.
De acordo com o Fisco, o desempenho da arrecadação observado em março pode ser explicado pelo:
- Bom desempenho dos principais indicadores macroeconômicos que afetam a arrecadação;
- Elevação da arrecadação do IOF, decorrente de alteração na legislação do tributo por meio do Decreto 12.499/25;
- Desempenho da arrecadação da contribuição previdenciária associado ao aumento real da massa salarial e da redução da desoneração da folha;
- A Receita também considerou o crescimento da arrecadação do Imposto de Importação e do IPI Vinculado em razão de crescimento de 21,69% do volume em dólar das importações, de 37,92% na alíquota média do Imposto de Importação e de 34,51% na alíquota do IPI Vinculado às importações.
Trimestre recorde
A arrecadação do trimestre de janeiro a março também foi recorde com os R$ 784,24 bilhões. Em 2025, foram R$ 749,9 bilhões em valores corrigidos pela inflação oficial para o período. Um aumento de 5,59%.
Conforme a Receita, a arrecadação do trimestre tem a alta explicada, principalmente, pelos desempenhos positivos de setores da economia; aumento do IOF; aumento do desempenho da arrecadação do PIS/Cofins em razão do melhor desempenho do setor de serviços e do crescimento da arrecadação do setor de extração de petróleo; crescimento da arrecadação do IRRF sobre o capital em função do desempenho da arrecadação de títulos de renda fixa; e avanço da massa salarial.
Isenção Imposto de Renda
A isenção do Imposto de Renda para as pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil foi estimada pelo governo federal em R$ 28,04 bilhões. A compensação virá da taxação das pessoas com “altas rendas”, ou seja, aquelas que recebem mais de R$ 600 mil por ano – arrecadação de R$ 23,76 bilhões – mais dividendos para o exterior R$ 6,18 bilhões.
Em março, a tributação dos dividendos resultou numa arrecadação de R$ 308 milhões, valor que, caso se mantenha como média mensal, não será suficiente para acompanhar a isenção do IR.
No entanto, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, explica que o valor não é recolhido como o imposto retido na fonte de trabalhadores formais. O motivo é que as empresas estabelecem um cronograma próprio de distribuição dos dividendos. O acerto, no entanto, deve ocorrer na declaração de ajuste.
“O imposto mínimo só vai ser fechado ao ano que vem, quando você soma as demais rendas. Ao longo do ano, eu só tenho o imposto mínimo da nova tributação, somente recolher as distribuições, como a parcela dos rendimentos”, afirmou.
