Recém-filiado ao PL, Moro pede domiciliar para Bolsonaro
Senador defendeu medida em evento da sigla. PGR opinou a favor, mas Moraes ainda não decidiu sobre pedido da defesa do ex-presidente
atualizado
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Recém-filiado ao PL, o senador Sergio Moro (PR) defendeu nesta terça-feira (24/3) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a prisão domiciliar. A deputada Rosangela Moro, esposa do senador e que também se filiou à sigla, manifestou-se na mesma linha e apoiou o abrandamento do regime de cumprimento de pena.
As declarações foram dadas durante o evento que oficializou a entrada de Moro no partido. Ex-juiz e pré-candidato ao governo do Paraná, o senador vem se reaproximando da família Bolsonaro nos últimos meses.
Condenado a mais de 27 anos de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro cumpre pena na unidade conhecida como Papudinha, no Complexo da Papuda, no Distrito Federal. Desde o último dia 13, o ex-presidente está internado em um hospital privado de Brasília.
O estado de saúde de Bolsonaro levou a defesa a solicitar novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a conversão do regime para prisão domiciliar.
Na segunda-feira (23/3), a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente ao pedido. Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não tomou decisão sobre o caso.
Ao comentar a situação do ex-presidente, Moro afirmou que apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022 por considerar necessário “derrotar” Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador foi ministro da Justiça no governo Bolsonaro, do qual se desligou após acusar o então presidente de interferência na Polícia Federal.
Moro declarou que “já passou da hora” de Bolsonaro ser transferido para a prisão domiciliar e classificou a medida como uma “questão de Justiça”.
“Estou me somando ao seu projeto. Também ansioso para ver o seu pai em casa por uma questão de Justiça, não de favor. É aplicação da lei. Já passou da hora”, afirmou Moro, direcionando a fala a Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
Durante o evento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, cometeu um ato falho ao dizer que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu porque o ex-presidente havia sido “liberado”. Em seguida, foi corrigido por Flávio, que reagiu: “Estão profetizando”.
A filiação de Moro ao PL representa mais um passo na reaproximação do ex-ministro da Justiça com o núcleo político de Jair Bolsonaro.
Enquanto tentava se viabilizar como candidato a presidente, ele também chegou a dizer que o então presidente mentia e chegou a fazer menções a “rachadinhas”, esquema que colocou Flávio Bolsonaro como investigado.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a entrada de Sergio Moro pode impulsionar a candidatura do ex-juiz e levá-lo a uma vitória no primeiro turno.
“Moro está explodindo [nas pesquisas]. Talvez, com 22 [número do PL], ele aumente e ganhe no primeiro turno”, disse o dirigente.
