Receita: Master pagou R$ 80 milhões a escritório da mulher de Moraes

Dados foram obtidos pela CPI do Crime Organizado. Viviane Barci tinha contrato com o Master que previa pagamento total de R$ 129 milhões

atualizado

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Ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes metrópoles
1 de 1 Ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu do Banco Master, de Daniel Vorcaro, R$ 80 milhões entre os anos de 2024 e 2025. É o que demonstram documentos da Receita Federal obtidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado Federal, após quebra de sigilo fiscal do banco.

Os pagamentos foram declarados pelo Master à Receita Federal por meio dos impostos retidos diretamente na fonte, ou seja, recolhidos mediante emissão de nota de prestação de serviços.

Procurado, o escritório Barci de Moraes afirmou que “não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.

Viviane tinha contrato celebrado com o Master que previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, por 36 meses, o que resultaria em R$ 129 milhões.

Uma cópia digitalizada do contrato entre o banco e o escritório de advocacia foi apreendida no celular do dono do Master, Daniel Vorcaro. Os documentos da Receita comprovam que pelo menos parte desses pagamentos foi efetivada. 

Segundo o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a revelação mostra o quão complexa é a investigação envolvendo o Master.

“Esse é o tamanho do problema que está no colo de nós, senadores, no nosso colo, e que chama a atenção dos brasileiros tanto quanto o impacto dos combustíveis, porque este é um problema, senador Davi [Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado], que afeta o alicerce da democracia, que é a credibilidade das instituições”, afirmou em sessão nesta terça-feira (7/4), ao revelar os números.

De acordo com Vieira, os valores recebidos pelo escritório de Viviane chegam a R$ 80 milhões, o que condiz com o tempo que ela declarou ter atuado junto ao Master.

No mês passado, o escritório de Viviane Barci divulgou detalhes do que estava previsto no contrato com o Banco Master e afirmou que os serviços foram prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando 22 meses.

Em nota, o escritório afirma que produziu para o Master 36 pareceres com ampla consultoria e atuação jurídica, por intermédio de uma equipe composta por 15 advogados. Também foram feitas, segundo diz a nota, 94 reuniões de trabalho, sendo 79 encontros presenciais na sede do banco. O escritório pontuou ainda que as tratativas duraram cerca de três horas e envolveram problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato.

Patrimônio

A família do ministro Alexandre de Moraes tem em seu patrimônio uma mansão de 725 m² no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. O imóvel foi adquirido por R$ 12 milhões e pago à vista, segundo documentos públicos de cartórios aos quais o Metrópoles, por meio da coluna do Igor Gadelha, teve acesso, em setembro de 2025.

A compra foi feita pela família Moraes por meio do Lex – Instituto de Estudos Jurídicos Ltda. Trata-se de uma empresa da qual a advogada Viviane Barci é sócia, juntamente com os três filhos do casal. O instituto possui outros imóveis da família.

A Lex Instituto de Estudos Jurídicos também adquiriu outro imóvel em 2025, segundo destacou o Metrópoles, na coluna do Paulo Cappelli.

Em março do ano passado, a empresa da família Moraes desembolsou R$ 4 milhões para comprar um apartamento duplex, de 365 metros quadrados, em Campos do Jordão (SP), com seis vagas na garagem e cinco suítes. Um imóvel idêntico, no mesmo prédio e com a mesma metragem, havia sido anunciado por R$ 7 milhões.

Esse foi o segundo imóvel da família Moraes no mesmo edifício. Em 2014, a Lex Instituto de Estudos Jurídicos comprou o apartamento ao lado, de 362,6 metros quadrados, também por R$ 4 milhões. Ambas as unidades foram vendidas pela construtora Poiano Lopes Ltda, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles.

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