Pressionado por Bolsonaro, Guedes deve mudar comando do Coaf

O Planalto ficou incomodado com o questionamento do órgão sobre decisão de Toffoli de suspender compartilhamentos de dados financeiros

Foto: Rafaela Felicciano/MetrópolesFoto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 03/08/2019 11:22

O ministro da Economia, Paulo Guedes, homem-forte do governo Jair Bolsonaro (PSL), tem sido pressionado por membros do executivo a demitir, nos próximos dias, o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Roberto Leonel, aliado do ministro da Justiça, Sergio Moro. Atualmente, o órgão, que já foi administrado pela pasta de Moro, está sob os cuidados da Economia.

O pedido para a troca de comando do órgão teria vindo do próprio Bolsonaro. O chefe do executivo federal tem se mostrado contrário ao comportamento do Coaf em relação à decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de suspender investigações que usem dados de controle. A medida de Toffoli ocorreu em resposta ao pedido do filho do presidente e senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ),  investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por movimentações bancárias suspeitas. 

O Coaf publicou nota, na semana passada, criticando a exigência de compartilhamento somente de dados genéricos. “O encaminhamento apenas de dados globais não proveria as autoridades destinatárias com elementos suficientes para seguir a rota do dinheiro e atuar com efetividade no combate à lavagem de dinheiro”, disse o texto.

“Ao Coaf interessa conhecer aspectos qualitativos de operações consideradas suspeitas, como as partes envolvidas, o valor negociado, a forma de sua realização, os instrumentos utilizados —elementos essenciais para definir se há, efetivamente, fundados indícios da prática de ilícitos a serem comunicados às autoridades competentes”, afirmou o órgão.

A previsão é de que o plenário do STF analise o caso em novembro, mas Toffoli já indicou que pretende adiantar essa data. “Acho que é preciso resolver logo esses problemas mais agudos, mais sérios, para que o tribunal então no desempenho da sua função jurisdicional possa definir aquilo que o poder público pode ou não pode fazer em Matéria de investigação penal. Isso é importante, qualquer que seja o resultado”, disse o ministro do Supremo Celso de Mello.

O advogado de defesa de Flávio Bolsonaro(PSL), Frederick Wassef, disse que é uma “barbaridade” a investigação contra o filho do presidente e afirmou que não vai “abrir mão” dos direitos do cliente devido à opinião pública.

Leonel foi indicado por Moro quando a pasta ainda pertencia à pasta da Justiça. Ele foi um dos integrantes da força-tarefa na Lava Jato e chefiou a inteligência da Receita Federal em Curitiba por 22 anos.

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