Presos no Jacarezinho relatam agressões por parte de policiais, diz MP

MPRJ investiga se houve abuso por parte de policiais. Operação Exceptis deixou 28 mortos, entre eles um policial civil de 48 anos

atualizado 11/05/2021 10:59

Parede branca com marca de tiros no JacarezinhoFoto: Aline Massuca/Metrópoles

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga se houve abuso na operação da comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, que terminou com 28 mortos, entre eles o policial civil André Farias, de 48 anos.

O MPRJ começou a ouvir parentes e testemunhas para saber se houve excesso das forças de segurança. Três presos na ação disseram em audiência de custódia que foram agredidos por policiais.

De acordo com Patrick Marcelo da Silva Francisco e Max Arthur Vasconcellos de Souza, eles foram agredidos pelos policiais civis com socos, chutes, pisões e golpes de fuzis. Eles afirmam ainda que os golpes teriam deixado marcas em seus corpos.

O preso Vinícius Pereira da Silva também disse ter sido agredido com socos e chutes pelos policiais.

O G1 divulgou o resultado do exame de corpo de delito feito por Vinicius. No documento, há fotos do olho inchado e de um ferimento na coxa do homem.

Em resposta à pergunta do investigador se há vestígios de lesão à integridade corporal ou à saúde da pessoa examinada com possíveis relações ao fato narrado pelo preso, o legista respondeu que “sim”.

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Relatórios dos mortos

Ainda segundo a reportagem, um relatório da Subsecretaria de Inteligência (SSinte) da Polícia Civil do Rio de Janeiro detalhas as fichas criminais dos mortos e aponta que só dois suspeitos não tinham anotações criminais.

O documento aponta que 12 deles tinham envolvimento com tráfico de drogas no Jacarezinho; outros 12 tinham registros por outros crimes, como posse e uso de drogas, furto, roubo, porte ilegal de armas, ameaça e lesão corporal. Um foi fichado por desacato.

Já quanto aos 12 mortos sem denúncia de envolvimento com o tráfico, a polícia afirma que, em três casos, parentes confirmaram em depoimento a ligação deles com facções criminosas; já os outros nove mortos, a polícia justifica envolvimento deles com o tráfico a partir de fotos e mensagens publicadas em redes sociais.

Por fim, quanto aos dois sem antecedentes criminais, a polícia afirmou que eles tinham envolvimento com o tráfico confirmado em depoimento por parentes. Um deles era menor de idade.

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