Presidente do PT diz respeitar decisão de Nunes Marques sobre pesquisa
Dirigente evitou críticas ao presidente do TSE e afirmou que medida deve “ter fundamento”. Decisão barrou pesquisa com queda de Flávio
atualizado
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O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou, nesta terça-feira (9/6), que o partido respeita a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel. O levantamento apontava queda nas intenções de voto do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão do magistrado atendeu a um pedido do PL e será submetida ao referendo dos demais ministros da Corte Eleitoral na noite desta terça.
Em entrevista à imprensa na sede do partido, em Brasília, Edinho evitou fazer críticas à ordem de Nunes Marques. O dirigente avaliou, porém, que a decisão do ministro deve ter “fundamento”.
“Se ele tomou essa decisão, ele deve ter fundamento. Nós respeitamos qualquer decisão do Poder Judiciário. Você, num debate, não opina, você respeita. Nós temos muito respeito pelo ministro Nunes Marques”, disse.
O posicionamento de Edinho Silva diverge de outros integrantes do PT que, sob reserva, temem uma possível atuação do presidente do tribunal em benefício da campanha do PL. Nunes Marques assumiu o comando do TSE em maio e presidirá a Corte durante as eleições. O ministro chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
À imprensa, o presidente do PT também declarou que a sigla tem “certeza” de que o presidente do TSE vai “conduzir o processo eleitoral da melhor forma possível”.
“Vamos sempre acatar aquilo que o TSE decidir e aquilo que o ministro, presidente do TSE, expressar em suas decisões”, afirmou Edinho Silva.
A suspensão, determinada na segunda-feira (8/6), barrou a veiculação de um levantamento da AtlasIntel, feito em maio, no qual Flávio Bolsonaro registrava uma perda de seis pontos percentuais no segundo turno, ampliando a liderança de Lula.
O recuo ocorreu após a divulgação de áudios e mensagens em que o senador pedia e cobrava repasses financeiros do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a produção de um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.
Ao analisar o pedido do PL, que argumentou que a pesquisa foi conduzida de forma a induzir o eleitor, Nunes Marques avaliou que houve “possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”. O magistrado mencionou que um dos elementos indutores teria sido a divulgação do áudio de Flávio a Vorcaro, algo que, segundo ele, não constava em outros questionários anteriores da empresa registrados no TSE.
A AtlasIntel negou o uso de mecanismos de indução do entrevistado e afirmou que a pesquisa foi realizada sem que o áudio do parlamentar fosse reproduzido para as pessoas que respondiam ao questionário.
