Prefeitura consegue liminar e Nattan fará show em cidade endividada

A prefeitura de Campo Maior conseguiu reverter uma decisão que suspendia o show do cantor Nattan na cidade

atualizado

metropoles.com

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Foto colorida de Nattan - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de Nattan - Metrópoles - Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) autorizou, nesta quinta-feira (28/5), a realização do show do cantor Nattan no município de Campo Maior (PI) no próximo domingo (30/5) no festejo de Santo Antônio.

O desembargador Aderson Antônio Brito Nogueira, presidente do TJ-PI, suspendeu a liminar que proibia a realização do show. A informação foi confirmada pela prefeitura de Campo Maior nas redes sociais.

Em vídeo publicado nas redes sociais do prefeito Joãozinho Felix (PP), o cantor Nattan se manifesta sobre o tema. “Nattan vem, Nattan não vem. É claro que eu vou gente”, disse cantor.

Contrato de R$ 800 mil

Como mostrou a reportagem do Metrópoles, o TJPI havia suspendido o contrato firmado pela prefeitura de Campo Maior com o cantor Nattan. A Justiça havia atendido a um pedido do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), depois de verificar que o aporte feito pelo prefeito Joãozinho Félix (PP) para o show não condiz com a realidade financeira da cidade.

O juiz Carlos Marcello Sales Campos fundamentou a decisão na “grave situação financeira do município”, que possui um débito consolidado de R$ 4.960.792,66 em precatórios vencidos para 2025.

O magistrado classificou como “inimaginável e paradoxal” que a prefeitura destine quase um milhão de reais para um show de “apenas” 1h40, enquanto alega colapso financeiro em outros processos para não quitar dívidas judiciais.

“Determino a suspensão imediata da eficácia do Contrato Administrativo celebrado com a empresa Nattan Produções Artísticas Ltda, cujo objeto consiste no show artístico agendado para o dia 31 de maio de 2026, devendo o Município réu abster-se de efetuar qualquer pagamento adicional em favor da contratada”, diz decisão.

Dívidas

De acordo com o MPPI, a prefeitura tem deixado de repassar as contribuições previdenciárias dos próprios servidores, violando Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) e gerando novas ações judiciais.

Na área ambiental, a cidade já possui uma condenação por manter um lixão a céu aberto. A gestão foi obrigada a cessar o despejo irregular de lixo e mitigar danos, sob pena de multa de R$ 1 milhão. Além disso, o MP investiga denúncias de atraso no pagamento de salários de servidores contratados.

Sales Campos destaca que não foram encontradas emendas parlamentares para custear o show, o que, para o juiz, deu a entender que o município custeou todo o montante.

Parcelas

Embora a prefeitura já tenha programado o pagamento de três parcelas entre abril e maio, totalizando R$ 500 mil, o magistrado ordenou o bloqueio judicial de R$ 800 mil das contas do município para garantir que o dinheiro não seja dissipado.

“Nesse contexto, verifica-se que parcela significativa dos pagamentos decorrentes do contrato administrativo já deveria ter sido empenhada, liquidada e executada pela administração municipal, circunstância que torna imprescindível a imediata intervenção do Poder Judiciário para impedir a transferência do saldo remanescente e cessar o fluxo financeiro potencialmente lesivo ao erário municipal”, esclareceu o magistrado ao justificar o bloqueio.
O prefeito Joãozinho Félix e outros secretários foram intimados para prestar esclarecimentos. Em caso de descumprimento, os gestores estão sujeitos a uma multa diária pessoal de R$ 1.000,00.

Segundo o IBGE, Campo Maior tem uma população estimada em 45 mil habitantes.

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