
O que esperar da política externa dos governos Lula e Flávio Bolsonaro
Campanhas divergem sobre o papel dos organismos multilaterais e a relação do Brasil com os Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendem estratégias distintas para a diplomacia brasileira, refletindo a polarização política que marca a corrida presidencial. Integrantes do governo petista projetam foco em acordos bilaterais e pragmatismo com os EUA, enquanto Flávio deve apostar no alinhamento direto a Washington.

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Ver todasAo Metrópoles, membros da atual gestão antecipam que Lula deve focar em parcerias bilaterais, com foco em regiões específicas. A avaliação é que fóruns e organizamos multilaterais devem perder força e reduzir as capacidades de negociação. A relação com os Estados Unidos também deve ganhar maior grau de atenção.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, deve manter um alinhamento à política externa de Donald Trump e Javier Milei. Figuras ligadas ao plano de política externa do candidato e consultadas sob reserva pela reportagem defendem ainda que o senador deve adotar uma linha mais pragmática que a do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Divergências na política externa
- Assim como em temas da política doméstica, Lula e Flávio divergem sobre os parceiros prioritários do Brasil na condução de suas respectivas políticas externas;
- De um lado, Lula valoriza a autonomia brasileira e a cooperação entre países em desenvolvimento; Flávio, por outro, enfatiza relações com aliados ocidentais e conservadores.
- Lula atualmente privilegia o multilateralismo e a negociação diplomática; Flávio sinaliza uma atuação mais alinhada à agenda da direita internacional.
- Os dois candidatos, que disputam a Presidência da República no próximo domingo (25/10), também divergem sobre o papel do Brasil em relação aos Estados Unidos, tema que, nos últimos meses, se tornou sensível para a campanha eleitoral das últimas semanas.
Lula: relações bilaterais e atenção com EUA
Um eventual quarto mandato de Lula deve ter um enfoque oposto do adotado nesta gestão. Lula retornou ao Palácio do Planalto em 2023 com o objetivo de recuperar grupos e blocos multilaterais, antes esvaziados pelo seu antecessor, como a Unasul, que reúne todos os países da América do Sul, e a Celac, que une nações latinas e caribenhas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesInterlocutores do petista acreditam que o Itamaraty deve investir nos relacionamento bilaterais, explorando os laços com países individualmente. A avaliação é que blocos multilaterais, constantemente criticados por Donald Trump, devem perder ainda mais força nos próximos anos, sobretudo na América Latina, onde os países já são majoritariamente liderados por presidentes de direita e alinhados ao líder republicano.
A relação com a Casa Branca, sob a gestão Trump, é vista como “o tema mais sensível” em uma reeleição de Lula. Embora dos dois líderes tenham uma boa relação, membros do governo avaliam que a política do Departamento de Estado de Marco Rubio é hostil com o petista.
Embora mude a tática para focar em relações bilaterais, a política externa de Lula em um eventual quarto mandato deve manter o princípio central de preservar a autonomia brasileira sem um alinhamento automático a Washington. O desafio será equilibrar esse pragmatismo comercial com a busca por pontes ideológicas na região.
Flávio: alinhamento aos EUA
Figura ligadas à estratégia de Flávio para o tema defendem que ele deve adotar uma postura mais pragmática.O senador, contudo, não esconde seu apreço por Donald Trump e já deu indícios de que pretende reforçar essa aproximação e orientar a atuação internacional do Brasil por uma agenda mais alinhada a Washington.
Entre as medidas, Flávio Bolsonaro já afirmou que, em um eventual governo, vai classificar organizações criminosas como terroristas – seguindo uma diretriz adotada pelo presidente Donald Trump, que ao longo deste ano classificou essas organizações e quartéis latinos como terroristas. O governo Lula é contra a medida por acredita que ela pode impor riscos à soberania do Brasil.
“A segurança também será uma dimensão importante dessa política externa. O Brasil deverá assumir papel mais ativo na construção de mecanismos de cooperação hemisférica, especialmente no enfrentamento ao crime organizado transnacional, ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro”, informou um membro da campanha do senador à reportagem.
Na mesma linha, Flávio já declarou que vai aderir ao Escudo das Américas, uma iniciativa militar norte-americana voltada para a América Latina e que promove o combate ao crime organizado transnacional. O Brasil, sob a gestão Lula, não foi convidado para participar do projeto, que incluiu países liderados por figuras da direita na América Latina.
As poucas promessas já feitas por Flávio para a política externa, divergem da adotada por Lula. Pregando maior aproximação com o EUA, o senador tende a buscar maior proximidade com países que mantiveram relações menos estreitas com o atual governo brasileiro. A estratégia representaria uma mudança de prioridades diplomáticas, com maior peso para afinidades ideológicas e parcerias com governos conservadores.








