
Debate: Flávio e Lula trocam ataques sobre CV, PCC e Escudo das Américas
Flávio Bolsonaro acusou Lula de defender facções criminosas. Já Lula questionou atuação de Flávio nos EUA e citou minerais estratégicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, trocaram acusações sobre segurança pública, a relação do Brasil com os Estados Unidos e o combate ao crime organizado durante debate da Band neste domingo (18/10), em São Paulo.
O embate envolveu o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Escudo das Américas, iniciativa de cooperação regional liderada pela administração de Donald Trump 2.0.
O petista questionou a atuação de Flávio nos Estados Unidos e mencionou a pressão exercida por aliados do senador contra o Brasil durante o período de tensões comerciais com Washington.
Lula também perguntou se o candidato pretendia entregar aos norte-americanos o controle sobre minerais críticos e terras raras brasileiras, matérias-primas usadas na fabricação de baterias, chips e celulares.
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Ver todasEm resposta, Flávio negou ter trabalhado para impor tarifas a empresas brasileiras e afirmou que viajou aos Estados Unidos para defender produtos nacionais. Na sequência, acusou Lula de ter ido ao país para impedir que o PCC e o CV fossem classificados como organizações terroristas.
“Ele foi para lá para defender CV e PCC, pelo amor de Deus!”, declarou o senador.
Flávio defende adesão ao Escudo das Américas
O senador afirmou que o Escudo das Américas prevê o compartilhamento de informações entre países e medidas para sufocar financeiramente organizações criminosas. Ele prometeu incluir o Brasil na iniciativa caso seja eleito e defendeu o emprego das Forças Armadas no reforço das fronteiras.
Criado pelo governo Trump, o Escudo das Américas é uma iniciativa de cooperação regional voltada ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado. O Brasil não foi convidado a integrar o grupo durante o governo Lula. Entre os países sul-americanos alinhados à iniciativa estão Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
No governo brasileiro, há preocupação de que a aliança possa ampliar sua atuação para áreas estratégicas, como o acesso a minerais críticos e terras raras, além de afetar investimentos de países como Rússia e China na região.
Designação do PCC e do CV pelos EUA
A discussão sobre a aliança ocorre após o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio veio logo após Flávio afirmar que havia pedido pessoalmente a Donald Trump que adotasse a medida.
O enquadramento faz parte da estratégia de Washington para ampliar os instrumentos de combate a grupos criminosos transnacionais. A classificação pode permitir a aplicação de sanções e restrições financeiras previstas na legislação norte-americana.
Desde que a possibilidade de designação era tratada como rumor, Lula demonstrou preocupação com os efeitos da medida e defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral em segurança pública, sem adotar o mesmo enquadramento para as facções brasileiras.
O governo brasileiro avalia que classificar grupos criminosos como terroristas pode abrir precedentes para medidas externas sobre assuntos considerados internos do país.
A divergência também envolve a forma de cooperação com Washington. Em maio, Lula apresentou propostas de integração regional na área de segurança e convidou os Estados Unidos a participar de iniciativas brasileiras contra o narcotráfico e organizações criminosas transnacionais.
