Vacina: Doria estuda entrar na Justiça caso Bolsonaro não recue em 48 horas

O governador de São Paulo disse que medidas judicias poderão ser tomadas pelo estado ou pelo conjunto dos governadores

atualizado 21/10/2020 21:56

Coletiva de imprensa com o Governador João Doria, no salão Azul do senado FederalHugo Barreto/Metrópoles

Após fazer uma visita de cortesia ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, o governador de São Paulo, João Doria, afirmou que vai esperar até sexta-feira (23/10) para analisar se caberá alguma medida judicial contra o presidente Jair Bolsonaro, caso ele não recue da decisão de cancelar a compra de 46 milhões de doses de vacinas contra o coronavírus.

“Vamos esperar pelo menos 48 horas. Se até sexta-feira não houver nenhuma medida de recuo por parte do governo federal para fazer aquilo que deve fazer, que é apoiar as vacinas, inclusive a do Butantan, que é a vacina do Brasil, nós saberemos quais medidas poderão ser adotadas, seja por São Paulo, seja pelos governadores. Estão todos realmente entristecidos, para não dizer frustrados, com o comportamento do presidente da República”, sustenta Doria.

“Ele desvalidou uma reunião feita pelo ministro da Saúde com 24 governadores brasileiros”, disse o tucano. “Além de desautorizar o ministro, ele desautorizou o pacto federativo. Todos os governadores querem a vacina para salvar a população de seus estados.”

O anúncio de intenção de compra foi feito pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em reunião com governadores  na última terça-feira (20/10).

Nesta quarta-feira, o presidente desautorizou o ministro, dizendo que cancelaria a compra da vacina do Butantan, que tem tecnologia chinesa.

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Ele informou que já existe uma reunião marcada para os próximos dias do Fórum de Governadores. “Vamos aguardar essas 48 horas, e a maioria saberá se posicionar. Em sua maioria, os governardes estão em defesa das vacinas do Butantan e de outras vacinas também, assim como defendem que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mantenha a sua autonomia”, disse Doria.

“O que eu posso garantir é que eles não ficarão imobilizados diante de circunstâncias em que vidas se perdem em função da pandemia”, disse Doria.

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