Senado aprova projeto de autonomia do Banco Central
Proposta, que será analisada na Câmara dos Deputados, visa a redução da ingerência política nas atividades essenciais do banco

O plenário do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (3/11), por 56 votos a 12, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 19/19 da autonomia do Banco Central. A proposta segue para análise na Câmara dos Deputados. Há expectativa que entre na pauta logo após a eleição municipal.
A autonomia do Banco Central foi uma das promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018.
O relator Telmário Mota (Pros-RR) destaca, em seu parecer, que a autonomia reduz a ingerência política no banco. “Busca conferir autonomia formal ao Banco Central para que execute suas atividades essenciais ao país sem sofrer pressões político-partidárias”, diz.
Uma das principais mudanças é o estabelecimento de mandatos fixos – de quatro anos, com possibilidade de recondução de mais quatro anos – para o presidente e para os oito diretores da autarquia, com períodos não coincidentes ao do presidente da República.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs dirigentes poderão ser demitidos por critérios estabelecidos pela Conselho Monetário Nacional (CMN) e aval da maioria absoluta do Senado.
Soberania monetária
Durante a sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também defendeu o projeto. “[A autonomia do BC] encerra o último capítulo de uma difícil travessia que fazia de nós um país menor, e confere ao Brasil o que lhe faltava: soberania monetária. Uma antiga conquista de países avançados”, declarou.
Sem consenso, propostas que dão autonomia ao Banco Central para executar a política monetária – determinar a quantidade de moeda em circulação, a oferta de crédito e as taxas de juros na economia brasileira para controlar a inflação – estão em discussão no Congresso Nacional desde a década de 1990.
Atualmente, o Banco Central é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Economia, cujo propósito fundamental é manter a inflação sob controle, próxima à meta estabelecida que varia ao longo dos anos. A deste ano é 4%. O governo avalia que a aprovação será uma boa sinalização para o mercado.















