Relatório defende que servidores da Funai atuem armados na Amazônia
Relator da Comissão Temporária Externa Norte, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), também requer ação das Forças Armadas na região amazônica

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) apresentou, nesta terça-feira (16/8), o relatório final da Comissão Temporária Externa Norte criada para apurar o crescimento da criminalidade na Amazônia. O colegiado foi instaurado em razão dos assassinatos do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, em junho, no Vale do Javari (AM).
Em seu relatório, o líder do PSD no Senado aponta atuação do narcotráfico na região e propõe alterações na legislação, além de cobrar atuação mais severa de órgãos competentes para redução da violência. Para o relator, o fato da região fazer fronteira com produtores de cocaína é o principal motivo da área ser visada pelos criminosos.
“Essas circunstâncias fazem a região ser visada pelo narcotráfico, por madeireiros, garimpeiros, caçadores e pescadores ilegais, entre outros”, explica o senador, destacando que os mais de 8,5 milhões de hectares de extensão e o isolamento da região colaboram ainda mais para a ação criminosa.
Trad ainda defendeu a atuação das Forças Armadas e a autorização do uso de armas aos integrantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) em atividades de fiscalização. “Foi unânime o clamor por maior presença do Estado, particularmente dos órgãos de segurança pública, das Forças Armadas, dos órgãos ambientais e da Funai, em parceria com os indígenas”, afirma o parlamentar.
Outra proposta prevista no relatório é a alteração da lei 9.605, de 1998, para aumentar a pena em casos de infrações em terras indígenas. O senador pede também que o Ministério Público Federal (MPF) apure eventual omissão da Funai no atendimento das demandas das comunidades indígenas da região.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediu ao relator a inclusão de ações a serem tomadas pelo Executivo para regulamentação dos poderes de polícia da Funai, da escala de trabalho dos servidores, de pagamento do adicional noturno e gratificação de localidade e aprovação do plano de carreira. Outra sugestão acolhida foi a reabertura da base do Ibama na região de Atalaia do Norte.
“A comissão aprovou o nosso relatório e o documento será encaminhado à Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal; à Presidência da Casa; ao Tribunal de Contas da União, para que realize auditoria específica sobre os processos e recursos destinados a atividades de fiscalização e vigilância em terras indígenas; e ao Ministério Público Federal”, completou o relator.
Lavagem de dinheiro
A comissão ainda identificou ações de organizações criminosas transfronteiriças que usam os peixes pirarucu e o piracatinga para lavar dinheiro do narcotráfico, criando uma demanda por eles. “Os peixes eram visados pelos pescadores ilegais suspeitos da morte de Dom e Bruno”, disse o relator.
Em outras regiões, como no Pará e em Roraima, o ouro garimpado ilegalmente em terras indígenas estaria servindo ao mesmo propósito, por ser facilmente esquentado devido à frouxidão regulatória e à falta de fiscalização e de rastreamento químico.


















