PSol pede investigação sobre acampamento que prega “extermínio da esquerda”

O pedido foi feito ao Ministério Público Federal no DF e defende apuração sobre ameaças e agressões a jornalistas e profissionais de saúde

atualizado 07/05/2020 21:56

Imagem do site VakinhaReprodução

A bancada do PSol pediu ao Ministério Público Federal (MPF) que abra uma investigação em relação ao acampamento “300 do Brasil”. O objetivo é que sejam apurados crimes de ameaças contra pessoas de pensamento de esquerda, ataques a instituições – como ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso – e agressões a profissionais de saúde e a jornalistas, ocorridos nos últimos dias em Brasília. O partido quer que integrantes e organizadores desse grupo sejam identificados e investigados.

O pedido lista uma série de episódios ocorridos no Distrito Federal envolvendo apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Esses incidentes ocorreram na primeira semana de maio. O requerimento também aponta vídeos, mensagens e comunicados divulgados pelos organizadores do acampamento, retratado pelo Metrópoles.

O grupo teria reunido dezenas de militantes do bolsonarismo em um alojamento com endereço desconhecido, em regime que imita organizações militares, treinando “táticas de guerra de informação”, “guerra semântica e subversão política”. As pessoas foram recrutadas pela internet e financiadas por meio de uma vaquinha virtual, que, até a noite de terça-feira (05/05), havia arrecadado R$ 57.739. O objetivo era acampar em frente ao Congresso Nacional “até a queda de Rodrigo Maia”, presidente da Câmara. Mas a Polícia Militar do DF barrou a parte mais chamativa da manifestação do grupo, batizado de “Os 300 do Brasil”.

Após semanas de preparação e treinamento, o maior ato público dos “300 do Brasil” até agora ocorreu no último domingo (03/05), na Esplanada dos Ministérios, onde os militantes participaram da manifestação feita em apoio ao presidente Jair Bolsonaro e que teve também pedidos de intervenção militar. A Polícia Militar do DF os obrigou a desmontar as dezenas de barracas que haviam armado e os proibiu de se instalar em outro lugar público do centro de Brasília.

De acordo com as postagens no grupo do Telegram (que até a noite dessa terça-feira era aberto e poderia ser encontrado na busca padrão do aplicativo), o acampamento tem um “quartel-general” em lugar só divulgado aos participantes. Lá, é possível comer, dormir e tomar banho.

Veja imagens das postagens:

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Nas postagens, os avisos de que o treinamento é para uma “guerra não violenta (sem armas)” se misturam a mensagens que contradizem isso ao pedir que os acampados (recrutados em vários estados) tenham roupa preparada para treinar combate ou que dizem ser preciso ter em mente a “possibilidade de ser detido”.

Cientes de que o espaço virtual é público, os organizadores não detalham os planos ou o tipo de treinamento a que estão submetendo os acampados. Em um vídeo da manifestação desse domingo (03/05), publicado por uma das líderes dos “300”, a militante Sara Winter, os objetivos ficam mais claros.

“O acampamento acaba quando o Rodrigo Maia cair. Acaba quando todos nós, de maneira, se for preciso, coercitiva, fazermos (sic) os ministros do STF entenderem que eles não são 11 semideuses”, brada a militante.

“Quem manda no país somos nós. Daqui [da Esplanada] ninguém nos tira. Hoje, Ibaneis [Rocha, governador do DF] tentou tirar a gente e a gente peitou, porque quem manda nessa grama somos nós”, completa ela, momentos antes de o grupo ser desmobilizado pela PM.

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