Pontes diz que recebeu alemã da ultradireita porque irmão dela é astronauta

“Vem um monte de crítica, como se eu tivesse discutindo a criação de um partido neonazista”, afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia

atualizado 28/07/2021 15:10

Divulgação/MCTic

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, gravou um vídeo nesta quarta-feira (28/7) para justificar o encontro que teve na última quinta-feira (22/7) com a deputada alemã Beatrix von Storch, vice-líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), investigado por propagar ideias extremistas e neonazistas.

Segundo Pontes, a reunião foi agendada por solicitação da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que também se reuniu com Beatrix na semana passada. Na ocasião, Kicis divulgou uma foto do encontro em suas redes sociais e celebrou a união e a semelhança de pautas defendidas.

O ministro disse que o pedido partiu porque o irmão da deputada alemã é astronauta como ele. Tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB), Marcos Pontes foi o primeiro astronauta brasileiro, sul-americano e lusófono a ir ao espaço, em 2006.

“Na semana passada, pra vocês entenderem, eu recebi uma ligação da deputada Bia Kicis falando assim: ‘Tem uma deputada alemã aqui no Brasil, que o irmão dela é astronauta e ela queria tirar uma foto contigo, para mandar pro irmão. Você consegue encaixar?’. Eu estava com a agenda cheia, mas só pra tirar uma foto, eu encaixo o horário, não tem problema nenhum”, disse Marcos Pontes.

Registros do encontro do ministro com a parlamentar alemã foram divulgadas pela própria pasta, no Flickr, mas o álbum passou a aparecer como de acesso restrito depois da repercussão negativa.

De acordo com o ministro, no encontro foram tratadas apenas questões técnicas e não houve discussão política. “Você vê como são as coisas: recebi para a gente tirar foto porque o irmão dela supostamente era astronauta”, afirmou.

O ministro ainda rebateu as críticas sofridas por causa da reunião. “Vem um monte de crítica, como se eu tivesse discutindo a criação de um partido neonazista. Uma coisa absurda que começa a surgir”, declarou.

A biografia de Beatrix von Storch na internet não informa a existência de irmãos do sexo masculino. A assessoria da pasta comandada por Pontes foi procurada para esclarecer a questão, mas ainda não retornou. A matéria será atualizada quando houver resposta.

Beatrix também reuniu-se com um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em seu gabinete na Câmara. “Somos unidos por ideais de defesa da família, proteção das fronteiras e cultura nacional”, escreveu Eduardo em um post ao comentar o encontro.

Os encontros foram criticados pelo Museu do Holocausto e por outras entidades judaicas. O Museu do Holocausto pontuou que a Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha) “é um partido político alemão de extrema direita, fundado em 2013, com tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração”.

Em março deste ano, a agência de inteligência da Alemanha colocou o partido de Beatrix von Storch sob vigilância. As comunicações e os movimentos do AfD estão sendo controlados pela inteligência alemã, conhecida como Ação Federal para a Proteção da Constituição, desenvolvida para proteger o país da ascensão de políticas semelhantes ao nazismo.

Atualmente, a sigla AfD é conhecida pelo discurso radical anti-imigração. O partido adotou recentemente programa eleitoral com aspectos negacionistas da pandemia.

Beatrix von Storch é neta de Johann Ludwig Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças da ditadura de Adolf Hitler por mais de 12 anos.

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