Oposição anuncia "obstrução" da pauta por investigação contra Moro
Líderes da oposição disseram que estão em discussão com membros do Centrão para tentar aprovar uma ação conjunta

A líder da minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), disse, nesta segunda-feira (10/06/2019), que enquanto as investigações contra o ministro da Justiça, Sergio Moro, não avançarem, a oposição entrará em obstrução total na Câmara dos Deputados e irá impedir, inclusive, a apresentação do parecer da reforma da Previdência, prevista para esta quinta-feira (13/05/2019), na comissão especial.
“Iremos obstruir todas as pautas enquanto não forem tomadas medidas concretas. Não vamos votar nada, nem permitir a leitura do relatório da Previdência”, disse.
Questionada se o Centrão também irá adotar o mesmo posicionamento, Jandira afirmou que o bloco está “conversando com as lideranças, inclusive com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “
“Cabe ao Parlamento. Não apenas à esquerda e à oposição cobrar as investigações. Porque tem um grande impacto na democracia brasileira. Também é um problema da Procuradoria Geral da República”, acrescentou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO líder do PT na Casa, Paulo Pimenta (RS), disse que essas medidas são de caráter “cautelar” que precisam ser adotadas para garantir as investigações de Moro. Ele pede o afastamento do ministro o quanto antes e que celulares funcionais também sejam investigados.
Revelação
O site The Intercept revelou, no último domingo (09/06/2019), uma série de conversas telefônicas entre integrantes da Lava Jato, na qual há uma suposta ingerência do ex-juiz Sergio Moro na atuação dos procuradores. A publicação apresentou mensagens privadas, gravações em áudio, fotos, vídeos e documentos judiciais que foram compartilhados entre o agora ministro da Justiça e o procurador. Essa situação, no entanto, seria questionável, pois no sistema acusatório no processo penal brasileiro o acusador e o julgador não podem se misturar.
Procurado, Moro criticou a reportagem e lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo”.
O ministro minimizou a denúncia e disse ainda que as mensagens trocadas não apresentam “qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. Alegou, inclusive, que trechos foram retirados de contexto.



