Não adianta inventar CPI para querer me tirar do poder, diz Bolsonaro

Presidente disse que o acusam de tudo, inclusive de "comprar vacina que não chegou ao Brasil", em referência à Covaxin, imunizante indiano

atualizado 24/06/2021 18:46

Presidente Jair Bolsonaro e o Ministro Marcelo Queiroga durante evento de Assinatura do contrato de transferência de tecnologia da AstraZeneca para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília.Igo Estrela/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta quinta-feira (24/6), que “não adianta inventarem” uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para querer tirá-lo do poder.

O Senado Federal conta com uma CPI para investigar ações e omissões do governo federal. Durante agenda no Rio Grande do Norte, o chefe do Executivo federal pediu para que o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), siga o seu exemplo de estar sempre no meio do povo.

“Estamos juntos e juntos prosseguiremos. Não adianta inventarem CPI pra querer me tirar do poder. Lá, sete senadores, tendo à frente Renan Calheiros, dizem que eu não dou bom exemplo na questão da pandemia”, disse Bolsonaro.

“Renan Calheiros, siga o meu exemplo, seja honesto. Faça o que eu faço, venha para o meio do povo. Não tem culhão para isso. Esse povo é o nosso oxigênio. A esse povo nós devemos lealdade e ao lado de vocês [povo] nós atingiremos o nosso objetivo”, prosseguiu.

Covaxin

No evento, Bolsonaro disse que o acusam “de quase tudo, até de comprar uma vacina que não chegou no Brasil”, em referência ao imunizante indiano Covaxin. Mais cedo, ele afirmou que se algo estiver errado em relação ao acordo firmado com o Ministério da Saúde, o governo vai apurar.

De acordo com documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), a vacina indiana Covaxin foi mais cara negociada pelo governo federal, custando R$ 80,70 a unidade. O valor é quatro vezes maior que o da vacina da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a AstraZeneca, por exemplo.

A CPI da Covid investiga por que o governo agilizou os trâmites na compra da vacina indiana. Segundo um levantamento do TCU, o Ministério da Saúde levou 97 dias para fechar o contrato da Covaxin, enquanto demorou 330 dias para ter um acordo com a Pfizer.

Além disso, o contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos para compra da Covaxin foi o único acordo do governo que teve um intermediário sem vínculo com a indústria de vacinas – o que foge do padrão das negociações e contratos de outros imunizantes.

Denúncia

Chefe de importação do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro em 20 de março e alertou sobre suspeitas de corrupção envolvendo a aquisição da vacina indiana.

Durante depoimento ao Ministério Público, no inquérito apura a conduta do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o servidor afirmou que recebeu pressões para favorecer a Precisa Medicamentos em depoimento ao Ministério Público.

Nessa quarta-feira (23/6), o deputado Luis Miranda disse que ele e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, alertaram Bolsonaro sobre as suspeitas. Os irmãos Miranda vão prestar depoimentos, nesta sexta-feira (25/6), na CPI da Covid.

Após a grande repercussão, o Palácio do Planalto informou que vai acionar a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o deputado e o servidor.

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