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Brasil

Apesar de negar, governo tem orçamento reservado para comprar Covaxin

Ministério da Saúde espera desembolsar R$ 1,6 bilhão com as 20 milhões de doses. Contrato tem suspeita de superfaturamento

24/06/2021 12:56, atualizado 24/06/2021 13:00
Debarchan Chatterjee/NurPhoto via Getty Images
Vacina indiana Covaxin - Coronavirus - Covid19

Apesar do governo negar a compra da vacina Covaxin contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o site do Ministério da Saúde mostra que o dinheiro para a aquisição está reservado.

A compra de 20 milhões de doses consta no calendário oficial de entregas para 2021. A vacina indiana está no cronograma desde 17 de fevereiro. Ao todo, o governo espera desembolsar R$ 1,6 bilhão com as doses.

O contrato de aquisição da Covaxin virou o centro de uma polêmica após suspeitas de superfaturamento no preço proposto pela empresa fabricante.

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Segundo as informações do site do Ministério da Saúde, as doses da Covaxin estão na mesma situação da vacina russa Sputinik-V. Neste caso, o governo reservou dinheiro para a compra de 10 milhões de unidades.

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Em fevereiro, o perfil oficial do Ministério da Saúde no Twitter comemorou a assinatura do contrato de compra com a fabricante indiana.

” O acordo fechado com a Precisa Medicamentos prevê entrega de imunizantes de forma escalonada entre os meses de março a maio”, informou, à época.

Governo nega

Nesta quinta-feira (24/6), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, voltou a negar que o governo tenha comprado a vacina. Ele informou que o caso está sendo analisado pelo departamento jurídico da pasta. Na quarta-feira (23/6), ele abandonou uma entrevista ao ser questionado sobre o assunto.

“Essa questão está no jurídico. Quando tivermos uma posição definitiva, iremos informar. A preocupação do Ministério da Saúde com o assunto Covaxin é zero”, destacou, antes de ir à Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Horas depois, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reforçou a tese. Em visita ao Rio Grande do Norte, o chefe do Palácio do Planalto afirmou que “o Brasil não recebeu nenhuma dose” da Covaxin e criticou a imprensa pela cobertura do caso. “Qualquer irregularidade, vamos investigar”, frisou.

Entenda o caso

Documentos obtidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid  indicam possível superfaturamento na aquisição do imunizante. O valor contratado pelo governo federal, de US$ 15 por vacina (R$ 80,70), ficou acima do preço inicialmente previsto pelo laboratório Bharat Biotech, de US$ 1,34 por dose.

O servidor Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, disse ao Ministério Público Federal (MPF) ter sofrido “pressão incomum” de outra autoridade da pasta para assinar o contrato com a empresa Precisa Medicamentos, que intermediou o negócio com a Bharat Biotech.