Moro: família de Marielle o fez mudar de ideia sobre PF no caso

Ministro da Justiça disse, no Roda Viva, que o governo federal é o maior interessado em esclarecer mortes da vereadora e do motorista dela

OTO REPRODUÇÃO: ANDRE BORGES/ESP. METRÓPOLES

atualizado 20/01/2020 23:01

O ministro da Justiça e Segurança pública, o ex-juiz Sergio Moro, afirmou que recuou da opinião de que o processo dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e do motorista Anderson Gomes deveriam ser federalizados pelo fato de a própria família da parlamentar não desejar que o caso saia da Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

As declarações foram dadas aos entrevistadores do programa Roda Viva, na TV Cultura, exibido na noite desta segunda-feira (20/01/2020).

Mostrando uma certa mágoa com a família de Marielle, Moro falou: “Em que pese minha opinião de que a Polícia Federal poderia apurar esse fato, se os familiares se posicionam contra, e ainda levantam a hipótese, embora infundada, de que o governo federal teria alguma intenção de obscurecer isso, então é melhor que fique lá no estado do Rio de Janeiro. Eventualmente, nós damos o suporte necessário para tentar auxiliar nas investigações”.

“O governo federal é o maior interessado em elucidar esse crime, uma vez que é cobrado em fóruns internacionais politicamente por essa apuração. O presidente é um grande interessado, porque tentaram envolver fraudulentamente o nome dele”, disse.

Segundo ele, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entendia que havia “obstrução e fraude” nas investigações e solicitou a participação da Polícia Federal no caso. Inquérito instaurado pela PF, o próprio Moro admitiu dar especial atenção, a ele, dada sua relevância.

“De fato confirmou-se que foi introduzida uma testemunha fraudulenta no âmbito da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual”, disse o ministro. De acordo com ele, as investigações da PF, compartilhadas com a Justiça do Rio, permitiu que as investigações retomassem seu “rumo correto”. “Demos todo o apoio positivo para que o trabalho fosse realizado”, observou.

Nova fase
Moro é o primeiro convidado do programa, agora em nova fase e sob o comando da jornalista Vera Magalhães, ex-Veja, Estadão e Jovem Pan, entre outros veículos.

Na noite, desta segunda, os jornalistas que formaram a bancada de entrevistadores foram: Alan Gripp (O Globo), Andreza Matais (Estado de S.Paulo), Leandro Colon (Folha de S.Paulo), Malu Gaspar (Revista Piauí) e Felipe Moura Brasil (Jovem Pan).

Polêmica
O anúncio dos profissionais de imprensa que inquiriram Moro, feito com quase uma semana de antecedência, provocou  polêmica. Pelo Twitter, a presença de algum jornalista do The Intercept Brasil na bancada de entrevistadores foi cobrado por usuários e pela própria equipe do site.

Em 2019, o Intercept foi responsável por revelar conversas do ex-juiz que colocaram em xeque sua atuação à frente da Operação Lava Jato, bem como a de outros membros da força-tarefa, na série de reportagens que ficou conhecida como #VazaJato.

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