Marcelo Castro defende CPI do MEC: “Não existe CPI sem viés político”

Emedebista é presidente da Comissão de Educação e defende instalação de colegiado para investigar as irregularidades envolvendo o MEC

atualizado 17/04/2022 7:52

O senador Randolfe Rodrigues se abaixa próximo à mesa diretora da Comissão de Educação, onde o presidente Marcelo Castro se senta. Ambos olham para folhas de papel - MetrópolesPedro França/Agência Senado

O presidente da Comissão de Educação do Senado Federal, Marcelo Castro (MDB-PI), rechaçou as críticas em torno da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as recentes irregularidades envolvendo o Ministério da Educação (MEC) em ano eleitoral. Na avaliação do emedebista, não há como desassociar as investigações do colegiado de seu viés político.

“Não existe essa história de CPI sem viés político”, enfatizou o senador em entrevista ao Metrópoles. “O que o presidente Rodrigo Pacheco está dizendo, e todos que retiraram as assinaturas estão dizendo, é o óbvio. Qual CPI não foi política? Alegar que não vai fazer, não vai instalar…  porque vai ter manipulação política é dizer o óbvio”, acrescentou.

O senador se refere às recentes declarações de Pacheco, em que o presidente do Senado externa preocupação com os impactos de uma eventual CPI em ano eleitoral. Nessa terça-feira (12/4), o senador do PSD voltou a tocar no assunto e defendeu “deixar as eleições para o momento certo”.

“Eu considero que temos que ter muita prudência, muita cautela, neste momento, em que os ânimos ficam mais acirrados com as proximidades das eleições. Trata-se de uma disputa eleitoral muito acalorada, temos que ter a obrigação de manter a moderação”, defendeu Pacheco na ocasião.

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CPI do MEC

Castro é um dos senadores que se prontificou a assinar o requerimento de instalação da CPI do MEC. O colegiado se propõe a investigar as suspeitas de favorecimento no repasse de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a prefeitos aliados dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. O caso veio à tona após divulgação de áudio atribuído ao ex-ministro Milton Ribeiro, em que ele confirma a prática irregular.

O movimento pela respectiva instalação é encabeçado pelo líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O parlamentar trabalha para colher as assinaturas necessárias para leitura do requerimento, que no momento somam 25.

Castro defende que, antes de se tornar um signatário oficial, cumprirá com a agenda de oitivas da Comissão de Educação. O emedebista afirma que só assinará o pedido de abertura do colegiado após o depoimento de envolvidos nos recentes escândalos.

“Sem nenhuma dúvida [assinarei o requerimento]. Tudo que aconteceu até agora só indica fatos graves, que precisam ser apurados. Todo dia tem uma coisa nova no MEC, não para, você puxa uma pena e vem uma galinha inteira. Então, minha postura como presidente da comissão não é correr atrás de assinatura, é de presidente da comissão. Estou tentando cumprir o nosso trabalho”, disse.

CPI governista

Em resposta à CPI do MEC, senadores da base governista também se movimentaram em busca da instalação de uma comissão para investigar governos passados do ex-presidente Michel Temer (MDB) e do PT.

O pedido de criação do colegiado bolsonarista partiu do senador Carlos Portinho (RJ), líder da bancada do PL — partido que tem o presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto. O foco do governista seriam as eventuais irregularidades em obras inacabadas e financiadas pelo FNDE, entre 2006 e 2018.

A comissão já tem 28 assinaturas para a abertura — o mínimo são 27. No entanto, só será protocolada junto à Presidência do Senado caso a CPI do MEC também obtenha o número regimental de signatários.

Questionado sobre a pressão governista, Castro defendeu: “Isso é do jogo político”. Estão querendo inviabilizar a CPI do MEC. Há um temor, sem dúvida que a CPI do MEC seja instalada. O governo quer esvaziar a CPI da oposição”, finalizou.

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