Maia analisa “com cuidado” pedidos de impeachment de Bolsonaro

Para presidente da Câmara, a crise política e a suposta interferência do presidente na Polícia Federal são "problemas do governo"

atualizado 27/04/2020 16:27

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, nesta segunda-feira (27/04), que analisa “com cuidado” os pedidos de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), protocolados na Casa. Para o parlamentar, o Congresso tem que continuar com a prioridade, que é aprovar medidas para o enfrentamento do novo coronavírus.

“Quando você trata de um tema de impeachment, eu sou o juiz e a decisão é minha. É uma questão que tem que tomar muito cuidado. Passei por isso no governo Temer (MDB) e, com tranquilidade, paciência, passamos esse período”, disse. 

As declarações foram dadas em coletiva de imprensa. Maia não se pronunciava oficialmente desde o último 16 de abril, quando respondeu as acusações de Bolsonaro em entrevista à CNN. Na ocasião, o chefe do Planalto afirmou que o deputado fluminense queria retirá-lo do poder.

Questionado sobre as acusações feitas pelo agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro contra Bolsonaro, sobre uma suposta interferência na Polícia Federal, o deputado ressaltou que o tema é “problema do governo federal” e que já está sendo investigado.

“Os problemas do governo devem ser tratados pelo governo. Nesse caso, [Augusto] Aras abriu uma investigação que deve chegar a algum resultado. É ruim [o momento da crise política], porque amplia ainda mais os problemas que estamos vivendo.”

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a abertura de um inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente da República para investigar as denúncias de Moro, feitas em um discurso de despedida do cargo, na última sexta (24/04).

Direita e oposição

O grupo de direita Movimento Brasil Livre (MBL), ex-aliado do Bolsonaro, protocolou um pedido de impeachment nesta tarde, na Secretaria-Geral da Câmara. Os militantes afirmam que o chefe do Planalto cometeu crimes de responsabilidade e citam a convocação ao protesto que pediu o fechamento do Congresso Nacional e da Suprema Corte.

Há atualmente na Casa quase 30 pedidos de impeachment, não apenas de integrantes da oposição. Por isso, o MBL cogita se unir à esquerda para fortalecer o pedido de “Fora Bolsonaro”. Está marcado, para o domingo (03/05), um protesto virtual contra o Executivo, e o grupo já convidou lideranças de outros espectros políticos para reivindicarem contra a gestão de Bolsonaro.

 

 

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