Centrão quer aliança com Bolsonaro, mas não deve isolar Maia

Deputados do bloco tentarão desidratar a possibilidade de que um pedido de impeachment contra o presidente da República avance na Câmara

atualizado 26/04/2020 10:15

Apesar das frequentes críticas do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ao Congresso Nacional, e da crise política na qual vive o governo, o chefe do Planalto poderá contar com uma base aliada na Casa. Deputados do Centrão se tornaram peças-chave para Bolsonaro, com a missão de evitar que determinadas pautas avancem na Câmara, como, por exemplo, pedidos de impeachment.

Parlamentares do PP, PL, PTB, PSD, Republicanos e Solidariedade negociam cargos no Executivo e devem apoiar o governo. Entretanto, na prática, não devem isolar o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem Bolsonaro já acusou, publicamente, de querer tirá-lo do Poder.

Líderes e vice-líderes do bloco ouvidos pelo Metrópoles contam que estarão alinhados ao presidente da República. Mas as legendas envolvidas não fecharam questão e, por isso, ainda há congressistas contrários ao mandatário do Planalto.

Para os novos apoiadores de Bolsonaro, a estratégia para tentar evitar a abertura de um processo de impeachment é insistir na narrativa de que é importante, primeiro, combater a pandemia do novo coronavírus e os desdobramentos dela.

O que mudará com a nova aliança deve ser o alijamento de Maia da interlocução da Câmara com o Executivo, informou um deputado do PP que participou das conversas com o governo. Ele explicou que antes era o deputado fluminense que fazia o intermédio com o Planalto em nome dos parlamentares.

Mas, com o caminho aberto, a ideia é que os parlamentares negociem diretamente com integrantes do governo. “Maia perde influência política, mas ainda é o mais forte da Câmara. O apoio ao presidente Bolsonaro será até quando durar a popularidade dele”, avisou outro parlamentar do bloco, que pediu para não ser identificado.

Não bastasse a crise da Covid-19, também desgasta a imagem do governo a saída de ministros populares, como Luiz Henrique Mandetta da Saúde, e o ex-juiz Sergio Moro da Justiça e Segurança Pública, anunciada nessa sexta-feira (24/04).

No discurso de despedida, Moro fez diversas acusações contra Bolsonaro, que motivaram parlamentares a apresentar pedidos de impeachment. A ex-aliada dele e atual líder do PSL na Casa, Joice Hasselmann (SP), foi à casa de Maia mostrar o projeto ao deputado. Depois do encontro, ela protocolou a proposta na Secretaria-Geral da Câmara.

Não há, contudo, uma posição oficial de Maia. Aliados do presidente da Câmara afirmam que ele estuda as possibilidades. Mas, na mesma reunião em que Joice contou sobre o pedido de afastamento do chefe do Executivo, estava na Residência Oficial o secretário-geral da Mesa, Leonardo Augusto de Andrade Barbosa, e outros deputados do Centrão.

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