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Política

Fundação Palmares exclui Marina Silva da lista de personalidades negras

“Ela não tem contribuição para a população negra do Brasil. Disputar eleições não é mérito", diz Sergio Camargo, presidente da instituição

13/10/2020 18:11, atualizado 13/10/2020 18:54
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Michael Melo/Metrópoles
Fundação Palmares exclui Marina Silva da lista de personalidades negras

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sergio Camargo, anunciou, nesta terça-feira (13/10), a exclusão da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) da lista de personalidades negras da instituição.

O aviso foi feito pelo Twitter. Veja:

A ex-ministra não é a primeira a ter seu nome retirado da lista por determinação de Camargo. Ele já havia retirado o nome da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ).

Camargo disse ainda que “Marina Silva autodeclara-se negra por conveniência política” e citou outros políticos que, segundo ele, faz o mesmo. “Jean Willys, Talíria Petrone, David Miranda (branco) e Preta Gil também são pretos por conveniência. Posar de ‘vítima’ e de ‘oprimido’ rende dividendos eleitorais e, em alguns casos, financeiros”, ressaltou.

Desde que foi indicado ao cargo, Camargo se notabilizou por negar reiteradamente a existência de racismo estrutural no Brasil. Ele já defendeu a extinção do movimento negro e já afirmou que a escravidão foi “benéfica para os descendentes” de escravos no país.

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Marina Silva disputou as últimas três eleiçoes presidenciais
Ex-senadora Marina Silva
Marina Silva durante entrevista no estúdio do site Metrópoles
Ao sair do PT, Marina Silva ajudou a fundar o partido Rede Sustentabilidade
Marina Silva é reconhecida por seu ativismo ambiental
Marina Silva durante entrevista no estúdio do Metrópoles
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Marina Silva durante entrevista no estúdio do Metrópoles

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Marina Silva disputou as últimas três eleiçoes presidenciais
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Marina Silva disputou as últimas três eleiçoes presidenciais

ANDRE DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO
Ex-senadora Marina Silva
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Ex-senadora Marina Silva

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Marina Silva durante entrevista no estúdio do site Metrópoles
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Marina Silva durante entrevista no estúdio do site Metrópoles

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Ao sair do PT, Marina Silva ajudou a fundar o partido Rede Sustentabilidade
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Ao sair do PT, Marina Silva ajudou a fundar o partido Rede Sustentabilidade

Divulgação
Marina Silva é reconhecida por seu ativismo ambiental
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Marina Silva é reconhecida por seu ativismo ambiental

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Marina foi vereadora por Rio Branco no Acre, deputada estadual, senadora e ministra do Meio Ambiente
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Marina foi vereadora por Rio Branco no Acre, deputada estadual, senadora e ministra do Meio Ambiente

Yone Fernandes/WikiCommons
Ativista ambiental

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) saiu em defesa da correligionária. “Marina Silva é reconhecida mundialmente na sua luta em defesa do meio ambiente e dos povos da floresta, sua vida é exemplo a ser seguido, a violência dos boçais do poder não é maior que a força da sua história”, afirmou.

Ativista da causa ambiental, Marina Silva foi vereadora por Rio Branco no Acre (1989-1991), deputada estadual (1991-1995), senadora (1995-2011) e ministra do Meio Ambiente, entre 2003 e 2008. Ela foi candidata à Presidência da República nas últimas três eleições – 2010, 2014 e 2018.

Arroubos autoritários

Citados como autodeclarados negros por “conveniência política”, a deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ) e o ex-deputado Jean Wyllys se manifestaram. “As decisões administrativas de um desqualificado não mudam a maneira como me identifico, tampouco a etnia de meus antepassados por parte da família de meu pai, fator sobre o qual ele não tem nenhuma autoridade para se manifestar. Eu sigo sendo o que sou”, afirmou Wyllys.

Já a parlamentar lamentou a postura de Camargo por “em vez de usar o cargo para desenvolver ações de preservação da memória e da cultura da população negra brasileira, perca seu tempo em atacar, pelas redes sociais, quem diverge de sua política”.

“A postura de Sérgio Camargo – baseada em arroubos autoritários típicos do bolsonarismo – definitivamente não condiz com o cargo que ocupa. Não é este homem, com esta postura que reproduz o racismo e envergonha nossa história de resistência, que irá questionar minha realidade enquanto mulher negra. Está mais do que na hora de devolver a Fundação Cultural Palmares ao povo, ao qual ela deveria servir”, disse Talíria Petrone.