Benedita chama Sérgio Camargo de “capitão do mato a mando de Bolsonaro”

Candidata à Prefeitura do Rio, ela teve nome retirado da lista de Personalidades Negras da Fundação Palmares. Camargo diz que vai à Justiça

atualizado 01/10/2020 18:13

Divulgação/Assessoria de Imprensa

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) reagiu à retirada de seu nome da lista de Personalidades Negras da Fundação Zumbi dos Palmares, decisão tomada pelo presidente da fundação, Sérgio Camargo na quarta-feira (30/9).

Em manifestação nas redes sociais nesta quinta-feira (1º/10), a candidata petista à Prefeitura do Rio de Janeiro chamou Camargo de “capitão do mato”, referindo-se aos serviçais de uma fazenda, durante o período escravagista, encarregados da captura de escravos fugitivos.

“Ainda hoje fui surpreendida por uma decisão arbitrária do capitão do mato que preside, a mando de Bolsonaro, a Fundação Palmares, que deveria preservar a memória e a cultura do povo negro, mas está fazendo o contrário”, disse Benedita.

Benedita também denunciou uma série de ataques racistas que vem sofrendo desde o último domingo e avisou: “Eles não vão me calar e eu não vou recuar”.


Camargo, por sua vez, anunciou nas redes que vai à Justiça contra a candidata do PT por considerar que o xingamento configura uma injúria racial.

“Benedita da Silva me chama de ‘capitão do mato’, expressão que, no entendimento da Justiça, configura injúria racial. Levarei as declarações da deputada à análise do meu advogado”, comentou o presidente da Fundação Palmares em seu perfil no Twitter.

Na defesa de que Benedita teria sido racista em relação a ele, Camargo cita ainda o episódio envolvendo Ciro Gomes (PDT-CE) e o vereador Fernando Holiday (DEM-SP), em 2018. Holiday processou o ex-ministro após ser chamado de “capitãozinho do mato nazista” e “traidor da negritude”, em uma entrevista. Em janeiro deste ano, a juíza Ligia dal Colletto Bueno, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, determinou a penhora de bens de Ciro para garantir o pagamento da indenização por danos morais de R$ 38 mil ao vereador paulista.

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Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, as secretarias nacionais de Mulheres e de Combate ao Racismo do PT repudiaram a conduta de Camargo e ressaltaram que Benedita da Silva foi a primeira mulher negra a ocupar uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, foi a primeira deputada federal Constituinte, senadora e governadora negra. Além disso, é autora do projeto que institui o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra.

Leia a íntegra da nota:

As Secretarias Nacionais de Mulheres e de Combate ao Racismo do PT vêm a público externar seu repúdio à conduta autoritária e a tentativa de apagamento da memória de importantes narrativas do povo negro pelo atual governo, desta vez usando a Fundação Cultural Palmares (FCP), órgão nascido junto a redemocratização do Brasil e símbolo da resistência do povo negro.

No último dia 30 de setembro, o atual presidente da FCP anunciou a retirada do nome da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) da lista de personalidades negras da Fundação, deste modo Benedita figura ao lado de Nelson Mandela e Zumbi dos Palmares, que também foram retirados da lista.

Benedita é atualmente uma das principais candidatas na disputa eleitoral à prefeitura do Rio de Janeiro, de modo que , este ato – em meio ao processo eleitoral – representa mais uma vez o uso da máquina pública para desgastar a imagem de quem se demonstrou a principal adversária política nesta disputa.

Ressalta-se que Benedita da Silva já tem seu nome gravado na história do País, pois sua luta e trajetória no movimento negro, de mulheres e no partido a levaram a ser a primeira mulher negra a ocupar os mais altos cargos eletivos, como ser a primeira mulher negra a ser vereadora na cidade do Rio de Janeiro, a primeira deputada federal Constituinte, senadora e governadora negra. Além disso, foi a autora do projeto que institui o 20 de novembro como dia da Consciência Negra.

Deste modo, nos manifestamos pela urgência da demissão do atual presidente e pelo restabelecimento do papel histórico da FCP na defesa e preservação da cultura e memória do povo negro.

 

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